Portugal - sempre naquela ânsia pirosamente periférica de imitar toda a gente - já arranjou um "7 de Setembro" e um "15 de Setembro". Com alguma generosidade, até podíamos arranjar um "16 de Setembro", dia da enunciação do dr. Paulo Portas e de uma entrevista gravada em Marte pelo dr. Seguro, um "17 de Setembro" e um "19 de Setembro", dias da enunciação do PSD face ao "16 de Setembro" e, finalmente, um "21 de Setembro", dia da prova oral extraordinária do dr. Gaspar perante o Conselho de Estado. Talvez não cheguem todos os trinta dias de Setembro para tanta coisa e tanta "originalidade". Valha-nos este maravilhoso fim de verão, pura obra do Criador cujos dias felizmente são todos os dias. Ámen.
3 comentários:
Este sim é que é um digno "7 da Silva":
http://portugaldospequeninos.blogs.sapo.pt/2207330.html
Nem isso, dr. João Gonçalves, nem isso. O final de Verão que ternamente invoca, doce que seja pelo Guincho, é o mesmo da chuva que teima em não chegar. Dos campos ressequidos, das albufeiras assustadoramente baixas, dos rios de não mais do que um exausto fio de água. Há um tempo para tudo.
Mas por cá nem a Natureza ajuda. Claro que para o "tuga" médio que passa os dias no trânsito hediondo, perder horas ao fim de semana, sob um sol arrasador e uma poeira assassina, o carro a sobreaquecer na fila para a Caparica (ou local afim), onde disputará o espaço da toalha com a matrona obesa, o pai de família barrigudo e a ranchada de miúdos histéricos, é algo de muito natural. Desejável todo o ano.
Costa
Quem seguiu as manifestações deste sábado, sabe que na sua maioria os manifestantes eram pessoas comuns, de todas as idades, sem vinculação a partidos, aproveitou a oportunidade para manifestar a sua revolta – alguns o seu desespero! – perante a situação a que chegámos, em que não se vislumbra uma nesga de esperança. Fizeram-no com uma dignidade admirável que os incidentes muito pontuais (e protagonizados por poucos) não maculam, como digno foi o comportamento das forças policiais.
E a manifestação dessa dor, mesmo que inconsequente, deveria merecer algum respeito por parte de quem, vá-se lá saber porquê, se coloca sistematicamente numa posição de superioridade desdenhosa em relação aos seus concidadãos.
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