Com o fim das férias, os comentadeiros regressaram aos jornais e às televisões. E com eles regressaram os chamados fins do argumento. Fundamentalmente os referidos fins são monotemáticos apenas variando em função do emissor que, em geral, não tem afinidades com a autoridade política (e o consequente poder) representada pelo actual chefe do governo. Isto quer dizer que sobreleva na qualidade do emissor (até pode ser de "direita") o fim do argumento (dele) e não uma atribuição, isenta, de intenções àquele que é objecto do argumento. Neste sentido, o flanco da autoridade representada pelo primeiro-ministro está desvalido. Do outro lado, pessoas provavelmente informadas, para não prejudicar o fim do seu argumento - bater no ceguinho metafórico personificado em duas ou três pessoas concretas do elenco governativo -, fazem tábua rasa da informação que eventualmente possuem, e que até pode coincidir com a verdade, com uma língua (e cara) de pau digna da Feira da Luz. Marques Mendes tem, pois, razão quando na tvi24 afirma que falta pedagogia e combate políticos por parte daqueles que podem (e devem) secundar a autoridade representada pelo primeiro-ministro no meio político que, na paróquia, pouco se distingue do meio comentadeiro. No fundo, o cenário em causa pode ser ilustrado por esta história de Palmerston sobre o "affair Schleswig-Holstein" por alturas de 1863. «There are only three men who have ever understood it—one was Prince Albert, who is dead; the second was a German professor, who became mad. I am the third—and I have forgotten all about it.» Entre mortos, loucos e "esquecidos", os fins do argumento lá vão fazendo o seu caminho pela mão dos prosélitos de sempre.
1 comentário:
Por acaso, todos sabemos como acabou o "Caso" Schleswig-Holstein. Com tantas complicações, os prussianos resolveram-no num ápice. E vai voltar a ser assim.
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