15.9.12

Libertar do jargão


 


É importante realizar uma espécie de "estados gerais" da maioria que juntasse o PSD, o CDS e independentes. O Presidente convocou, e bem, o seu, o de Estado. Mas a maioria tem o dever indeclinável de redescrever politicamente a sua, como agora se diz, "narrativa" em fase de elaboração do orçamento para 2013, com novas medidas (discutíveis) anunciadas, perante as conclusões da 5ª avaliação da "troika" e por causa da Europa. A realidade é sempre mais rica e complexa do que qualquer "modelo" mais ou menos académico. E a política serve precisamente para debater isso - para prosseguir a conversa, e não para a fechar, que é uma bela ideia dos filósofos pragmatistas norte-americanos. Se alguma coisa boa resultou dos ruídos, falados ou silenciosos, dos últimos dias é que esta maioria democrática não é apologista do pensamento único. Encontrar-se consigo mesma, encontrar-se com o país e encontrar-se com alguns daqueles que, das esquerdas e das direitas ou independentes sem partido, possuem pensamento próprio, só pode fazer bem à coligação e ao governo. A maioria, parafraseando Harold Bloom, precisa libertar-se do jargão.

1 comentário:

Miguel CB disse...

O governo tem de tomar consciência que há um Portugal para lá do PSD e do PP e muitos são os portugueses que gostariam de emprestar o seu saber e dedicação ao país, longe das máquinas e da fulanagem de terceira plana que condiciona, manipula e distribuiu.
É tempo de uma grande frente.