14.9.12

A música de fundo

Para ler com a música de fundo.

3 comentários:

Vortex disse...

a rotunda figurinha da virgem de Willlendorf encontra-se no cofre do Museu de História Natural em Viena
e mais elegante e inteligente que o barrigudo melena e pá

josé sequeira disse...

Os media andam nervosos. No fundo sabem que os 50000 que "já confirmaram" têm uma enorme força... no FB. Assim não se cansam de repetir, de propagandear, de antecipar.
A propósito de uma dessas antecipações aparece um jovem, de vinte e tantos, licenciado em Ciência Política e desempregado, melhor dizendo, à procura do primeiro emprego, tendo nas costas a imagem da desgraça em que se tornou o outrora belo jardim do Campo Grande. Sendo licenciado em Política pretenderá certamente um emprego com direitos nessa área. Ora a política, em Portugal, está, genericamente, nas mãos dos partidos e dos seus apêndices. O Bloco de Esquerda ou a CGTP têm, neste jovem, uma oportunidade de passar à prática aquilo que pede aos outros: dar-lhe emprego!
As causas:
1) Nos nossos dias começa-se a trabalhar muito mais tarde. É de bom tom que se faça a licenciatura, a pós graduação e o mestrado integrado, antes de partir para a aventura do trabalho (Qual é a vantagem do 12º ano obrigatório?). Pelo contrário, no passado, muitos de nós começaram a trabalhar, mudaram de actividade até à fixação final e só após isso concluiram a sua formação superior,normalmente em matérias relacionadas com aquilo em que já trabalhavam.
2) Para quem começava a actividade profissional antes dos 20 anos, era mais fácil aceitar remunerações iniciais mais baixas,num acolhimento normal de aprendizagem. Agora a falta de experiência é a mesma, mas a idade já anda pelo 25, 26 e a aparente formação (a aparente,porque a realidade é a mesma), já transportam o desejo de remunerações mais elevadas, até porque o relógio biológico já começa a lançar pequenos alarmes.
3) A existência (ainda) de camadas da população, que eu classifico como “aristocracia do trabalho”, com remunerações e regalias elevadas, obtidas, em muitos casos, não por mérito próprio, mas por trabalharem onde trabalham, tem permitido alguma transferência de valor (€€) entre pais e filhos, permitindo este tipo de indignação ociosa. Ora essa distorção terá tendência a acabar, ficando muita gente “sem pau e sem bola”.

Mario Krall disse...

Uma das grandes riquezas de Portugal está na sua capacidade de produzir pérolas de elevada qualidade durante os grandes momentos destes espectáculos que a natureza nos proporciona. No que decorre já foram produzidas algumas muito interessantes: "Arménio Carlos vai estar presente nesta manifestação" (!), "que se lixe a troika" (que paga os salários de FPs e reformados, tendo um deles dado uma entrevista, encapuzado, talvez por vergonha de querer mandar embora quem lhe paga o salário, como é natural), "esta manifestação não é nossa; nós apenas a facilitamos", logo seguida de "é um bocadinho complicado ter os microfones abertos às outras pessoas" (pelo mesmo indivíduo, respondendo à pergunta sobre a possibilidade de os manifestantes falarem; visivelmente atrapalhado), "lutar pelos problemas de Portugal". Mas a pérola maior continua a ser "defendemos outras políticas", patentemente secretas. Já o partido que negociou o acordo, que o assinou e que duplicou a dívida, diz querer "colocar Portugal no caminho da esperança". Já Guterres queria colocar Portugal no "pelotão da frente". No meio disto tudo, lá apareceu um comentador mais louco, que na SIC se saiu com uma frase suicidária: "ainda não encontrei uma pessoa que concorde com estas medidas, mas também nenhuma que me diga como isto se resolve". Estranhamente, apesar de tão dramática a possibilidade de isto correr mal, parece haver no ar um misto de alegria, esperança e excitação na cabeça de algumas destas pessoas, caso consigam aquilo que pretendem. E é tão grave que até Vitor Constâncio já veio avisar para não brincarmos às rasteiras. E logo este!