18.9.12

"Coerência"

Anda por aí a ser apresentado como um acto de "coerência" - o que já motivou uma corrida inusitada às lojas de conveniência para comprar lencinhos de papel para enxugar as competentes lágrimas - a circunstância de Maria Teresa Horta ter recusado receber um prémio literário das mãos do primeiro-ministro. A "coerência" foi acompanhada de um panfleto enviado para as redacções digno da literacia de um Vasco Lourenço. O ponto, todavia, não é esse. Horta não recusa evidentemente o prémio como, por exemplo, Sartre recusou o Nobel que não era propriamente uma pechincha. O que ela recusa é as mãos que supostamente lhe iam entregar o prémio. "Coerência" seria recusar tudo. Mas isso era exigir à paróquia uma altura que não existe.

14 comentários:

alice gois disse...

Falta-lhe decência intelectual? Só pode ser|

amendes disse...

Ou será porque o valor pecuniàrio do prémio não justifica uma ida à Fundação Mateus? Não é por acaso que é conhecida pela "Dama dos Aneis"

Romão disse...

Se o problema da Sra. é quem lhe entrega o chequezinho, eu vou lá e entrego o cheque á senhora.

S. Guimarães disse...

Um dos grandes males deste país, é a quantidade de gente ressabiada e pequenina que quer ,e se desunha para se por em bicos de pés.
Gente sem qualquer pingo de vergonha, com espinha dorsal gelatinosa, e que para mal dos nossos pecados, são os que nadam em privilégios não acessíveis à maioria da população.
Realmente a coerência é uma coisa muito bonita, mas só ao alcance de pouca gente.


Leitor disse...

No alvo! Uma coisa é o re-béu-béu, outra é a vantagem pecuniária. Nem para uns desempregados apadrinhados pelo camarada Arménio Carlos, valha-nos Deus!

Aladdin Sane disse...

Um anacronismo, esta Maria Teresa Horta.

Carlos Vidal disse...

Coerência a deste blogue e post: atirar a tudo o que mexe contra este governo.
Somos muitos, caríssimo.

Le Grand Macabre disse...

Polémica barata para esgotar edições? Ocorre-me um ou outro escritor "de esquerda" e "coerente" que deu o mesmo golpe para vender mais livros.

Octávio dos Santos disse...

No fundo, não é surpreendente...

http://octanas.blogspot.pt/2011/10/observacao-tres-marquesas.html

isabel de Deus disse...

A senhora esgrime como argumento:"eu sempre fui de esquerda". Um argumento que, infelizmente, em demasiados meios basta para se ter um estatuto de quase santidade. Se isto é a nossa "intelectualidade", imagine-se como será a iliteracia!

Paulo Valente disse...

Já ouvi comentários semelhantes aos do autor deste "post". No entanto há alguns aspectos interessantes que o autor do "post" e os posteriores "comentaristas" preferem ignorar. O prémio foi atribuído a Maria Teresa Horta (MTH) por um júri que apreciou a sua obra e a de outros autores. Para MTH recusar o prémio seria admitir que ou não se considera merecedora dele ou que considera que o júri era incompetente. Penso que MTH tem obra realizada para que reconheça o seu próprio valor, e penso também que MTH reconhece a competência do júri, portanto não há haverá razão para recusar o prémio. O busílis está na entrega do prémio. É que receber o prémio das mãos do primeiro-ministro (PM) é dar a este protagonismo e um palco à custa de uma pessoa que a isso se recusa. Ao contrário do Presidente da República, o PM não representa o país e NÃO foi eleito pelo povo. Os deputados, esses sim foram eleitos, mas cada um representará somente o seu círculo eleitoral. O PM foi indicado pelos partidos com assento parlamentar. O PM é essencialmente o gerente da "loja" e não o dono da "loja". Recusar receber o prémio das mãos do gerente porque não se gosta da forma como este gere a "loja" ou trata os "clientes", é um direito que a qualquer um assiste.

Ricardo Duarte disse...

Sartre nunca devolveu o cheque à Academia sueca. Isso está documentado.

A.Lopes disse...

Mas somos mais os que o apoiamos!

Marta disse...

Isso não faz sentido. Ela aceita o prémio, porque este foi atribuído por um júri que ela respeita e admira, como ela própria já disse. Não seria coerente recusar o prémio, porque o prémio não foi atribuído pelo Passos Coelho. É coerente recusar recebê-lo das mãos de uma pessoa que ela desconsidera. Não acho que seja nenhuma heroína da pátria, nem me emocionei, mas acho que a sua atitude merece, pelo menos, respeito. É apenas uma pessoa que quis ficar bem com a sua consciência. E não ter para a posteridade uma fotografia a apertar a mão ao Passos. Se isso a faz vender mais livros ou não, não sei. As pessoas lá sabem por que compram livros.