«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.»
Adélia Prado
8.9.12
Uma desgraça nunca vem só
O Expresso informa-nos que há em Portugal um milhão de analfabetos. Decerto a cifra não inclui analfabetos funcionais, imbecis superficiais e imbecis profundos. Uma autêntica "população" infinitamente mais perigosa que a desgraçada fatia do milhão.
3 comentários:
Vasco
disse...
Parece um número pequeno. Aposto que se esqueceram de contabilizar os analfabetos que lêem o Expresso desde que adoptou o AO. Devem ser toneladas deles. Na televisão aparecem centenas por dia, a falar "rápido", em "populares" e em "x meios aéreos". São muito mais do que um milhão.
A propósito de um aniversário da morte de Salazar alguém escreveu, respondendo a um convite feito pelo JG, que,no final dos anos cinquenta, foi iniciada a alfabetização de toda uma geração de portugueses; eu próprio fiz parte dessa geração. Mesmo nos confins do Minho ou de Trás-os-Montes, os meus primos, da mesma idade, independentemente do sexo, também andavam na escola. Eu sei que era só o ensino básico, no entanto suficiente para a chamada "alfabetização". Supondo que a grande maioria dos que, em 1974, eram analfabetos já terão morrido, este milhão de que fala o Expresso aparece de onde? Porque é que os megamilhões derretidos na "educação", desde o 25 de Abril, não erradicaram o analfabetismo nesses mais velhos, que, pelo facto de terem nascido (no campo, entenda-se) antes dos anos 50, não beneficiaram do que eu beneficiei e ainda, pelos vistos, conseguiram acrescentar mais uns quantos (quantos?). É que, não haja dúvidas, da minha geração para a frente só não estudou quem achou que havia outras coisas mais divertidas na vida para fazer.
vista assim a cifra é negra. no entanto há uma confusão. "sem qualquer nível de escolaridade" não significa "analfabetismo". os analfabetos estão incluídos naquele lote, mas estão incluídos também todos aqueles que, embora não sejam analfabetos, não têm sequer o diploma equivalente à quarta classe antiga. assim como estão incluídas todas as crianças que ainda não terminaram o quarto ano de escolaridade, isto é, aquelas cuja idade ainda não lhes permitiu ter "qualquer nível de escolaridade".
3 comentários:
Parece um número pequeno. Aposto que se esqueceram de contabilizar os analfabetos que lêem o Expresso desde que adoptou o AO. Devem ser toneladas deles. Na televisão aparecem centenas por dia, a falar "rápido", em "populares" e em "x meios aéreos". São muito mais do que um milhão.
A propósito de um aniversário da morte de Salazar alguém escreveu, respondendo a um convite feito pelo JG, que,no final dos anos cinquenta, foi iniciada a alfabetização de toda uma geração de portugueses; eu próprio fiz parte dessa geração. Mesmo nos confins do Minho ou de Trás-os-Montes, os meus primos, da mesma idade, independentemente do sexo, também andavam na escola. Eu sei que era só o ensino básico, no entanto suficiente para a chamada "alfabetização". Supondo que a grande maioria dos que, em 1974, eram analfabetos já terão morrido, este milhão de que fala o Expresso aparece de onde? Porque é que os megamilhões derretidos na "educação", desde o 25 de Abril, não erradicaram o analfabetismo nesses mais velhos, que, pelo facto de terem nascido (no campo, entenda-se) antes dos anos 50, não beneficiaram do que eu beneficiei e ainda, pelos vistos, conseguiram acrescentar mais uns quantos (quantos?). É que, não haja dúvidas, da minha geração para a frente só não estudou quem achou que havia outras coisas mais divertidas na vida para fazer.
vista assim a cifra é negra. no entanto há uma confusão. "sem qualquer nível de escolaridade" não significa "analfabetismo". os analfabetos estão incluídos naquele lote, mas estão incluídos também todos aqueles que, embora não sejam analfabetos, não têm sequer o diploma equivalente à quarta classe antiga. assim como estão incluídas todas as crianças que ainda não terminaram o quarto ano de escolaridade, isto é, aquelas cuja idade ainda não lhes permitiu ter "qualquer nível de escolaridade".
Enviar um comentário