
Passa hoje uma década sobre a morte do meu Pai. Naquela altura também estava, uma vez mais, a mudar de vida. Fui ver ao arquivo o que é que tinha escrito. E não tinha escrito nada a não ser a transcrição de umas palavras de um livro de Henry Miller que estava então a ler. «Na sua solidão, no seu sonho de amor ou de ausência de amor, os que se perdem vão sempre ter à beira de água. Na imensa deriva da noite, o estertor da agonia dos aflitos é abafado pelo rumor da mais pequena ondulação. O espírito, vazio de tudo, excepto do rumor das ondas, serena. Rolando com as águas, a alma até então atormentada desdobra as asas. As águas da terra! Que nivelam, sustentam, reconfortam! Águas baptismais! A seguir à luz, são elas o elemento mais misterioso da criação. Tudo passa com o tempo. As águas ficam.» É isso - tudo passa com o tempo mas as águas ficam.
3 comentários:
Não conheço este livro do Miller, enm encontro nenhum título em inglês que possa ser o original. É uma compilação? Qual é o editor e a data? Obrigado pela informação que me possa dar.
José Couto Nogueira
É uma compilação. A edição que possuo é a da foto, dos "livros de bolso" da Europa-América.
um abraço João
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