
«Então o senhor professor subiu a uns calhaus no meio do mar enquanto o Tozé foi brincar com o Pedrito e o Paulinho. O pior é que depois o Tozé aborreceu-se e veio fazer queixinhas que eles eram maus e feios. Vai daí, o senhor professor esqueceu-se do castigo e pôs o Pedrito e o Paulinho a brincar sozinhos, mas avisou que se eles não se portassem bem lhes puxava as orelhas. O Tozé voltou a ficar chateado. Os outros meninos ficaram ainda mais chateados e disseram que o senhor professor é mais amigo do Pedrito e do Paulinho do que deles. O recreio continua e a abelha é nossa amiga porque nos dá o mel, etc.
O princípio de que alguém está destinado desde o berço a liderar, ainda que simbolicamente, uma nação não me entra na plebeia cabeça. Ainda que mereça pouquíssimos dos louvores que os seus fanáticos lhe dedicam, o sistema republicano merece um louvor: é, quando o deixam ser, democrático. E se os resultados são por regra desastrosos ou mínimo desconsolados, prefiro um desastre eleito a uma bênção imposta.
Cultura política de diálogo. Renovado espírito de compromisso. Compromisso aberto e inclusivo. Crescimento sustentado. Coesão na defesa da estabilidade. Relançamento da economia. Gerar emprego qualificado e retenção de competências. Reforçar o chamado "capital social". Afirmar uma nova cultura de confiança e de responsabilidade. Construção de uma sociedade de oportunidades para todos os sectores sociais. Estas prodigiosas banalidades não são, graças a Deus, de minha autoria. Pertencem à moção de confiança já entregue no Parlamento e que será discutida na próxima terça-feira. No fundo, a coligação no poder fará levantar os deputados que a suportam para aprovar um documento cujo imenso vazio não destoaria num congresso de angariadores de seguros ou numa palestra evocativa de Maria de Lourdes Pintasilgo. Talvez o maior problema do regime não esteja na Justiça, na corrupção, na ideologia ou nos partidos, mas na linguagem. É absurdo esperar políticas redentoras se o português que as define padece de paralisia cerebral. As palavras são importantes, excepto quando quem as despeja não o é.»
2 comentários:
No caminho do All-Garb para Massamá, leio sem espanto nenhum que a mantinha que embrulhava o principezinho esgotou nas lojas de sua HRH.
Admirável mundo novo.
Com tanto vivo para "invocar" é de mau gosto (para não usar vernáculo merecido) trazer à liça quem há muito nos deixou, concorde-se ou não com a Senhora.
Respeito é o que mais exijo de quem quer ser sério a comentar. Isto da falta de chá em pequenino...
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