21.7.13

No rochedo da Valquíria





«Temos estado no processo negocial errado. Um processo negocial que possa resultar tem de envolver à cabeça e de forma explícita um actor que não esteve na sala, mas que de facto esteve todo o tempo, e tido como imóvel ou incerto. Esse actor tem de ser tornado activo e parceiro de uma real solução. Esse actor é a União Europeia, representada não pelos funcionários da troika, mas pelos seus dirigentes máximos. Porque a questão é política e tem de ser colocada em termos políticos: quer a União Europeia evitar mais um desastre no seu seio? Quer a União Europeia que o país possa mudar realmente e ultrapassar a crise de financiamento? Quer a União Europeia que esse país possa contar com um compromisso interno que supere divergências insanáveis e viabillize realmente a trajectória de mudança de longo prazo que é imprescindível? (...) Um novo compromisso externo é fundamental para viabilizar um novo compromisso interno e vice-versa. Esta é a negociação certa que tem de ser concluída. Portugal precisa de uma liderança capaz de fazer isto. Ser membro dum espaço integrado como a União Europeia exige este tipo de liderança.» (Maria João Rodrigues, Público)


 


«A crise não vai passar e irá piorar se não houver eleições. Queira o Presidente ou não, se dá ao Governo a remodelação que ele deseja — ela própria a melhor garantia de que vai continuar a haver instabilidade governativa —, e os dois anos até 2015, reforça a arrogância que Passos Coelho já mostrou na crise ao afrontá-lo na Assembleia. O Presidente volta ao contexto do seu discurso de 25 de Abril, mas numa situação muito mais frágil. É só uma questão de tempo até toda a gente perguntar se era para isto, por que perdeu todos estes dias? É que o argumento dos mercados não serve só para aterrorizar os indígenas com as eleições, serve também para Portas, Passos e Cavaco. Mas há uma razão ainda mais funda, estrutural, para que a crise não se vá embora e ela traduziu-se na grande omissão destes dias, no enorme silêncio absurdo e cego com que se discute tudo e três tostões como se as pessoas comuns fossem mera paisagem, os portugueses súbditos sem voz — as eleições não servem para nada, dizem-lhes — e colonizados pelos colaboradores dos “credores” de um protectorado consentido sem revolta. Se nada disto mudar, é só esperar pelos próximos episódios.» (José Pacheco Pereira, idem)

1 comentário:

Justiniano disse...

Caro J. Gonçalves,
Fosse o problema o país estar falho de compromissos externos e poder-se-ia entreter gente à volta de mais um!! Mas há Maastricht, há Lisboa e há o tal da troika. Possivelmente, em breve, haverá, talvez, um outro de uma doika ou uma coxa. E onde estão os condestáveis de outrora!? Espantam-me, portanto, os Viriatos Soremenhos e as Viriatas Soremenhas, insistindo à espera de Godot!!
Haja paciência,