
Julgo que alguns leitores ainda não repararam na epígrafe que encima este blogue. Repito-a. «Eu não perdoo a ninguém a mediocridade, a estupidez, a vileza, a malignidade, a incultura, a suficiência, a intolerância, o espírito de compromisso, a cobardia moral, etc.» - Jorge de Sena, entrevista a O Tempo e o Modo, Abril de 1968. Por consequência, não perdoo (e não tem nada a ver comigo, pessoal ou profissionalmente falando) aquilo que o insuspeito Público de domingo resume muito bem. «Não deixa de ser uma injustiça, pense-se o que se pensar dele, que um governo que decide enfatizar um discurso no que toca à economia dispense Álvaro Santos Pereira sem a mínima justificação, pública ou privada. Foi ele, aliás, o único ministro cuja "cabeça" rolou nesta remodelação, coisa que ele assinalou de forma silenciosa, não comparecendo à tomada de posse dos novos ministros. Porém, tal como sucedeu com Vítor Gaspar, mal Álvaro Santos Pereira saiu de cena, Portugal deixou de falar dele, como se não tivesse existido". E o Público acrescenta: «ele contribuiu para isso, com excentricidades em demasia, e foi isso que o tornou rapidamente dispensável. E dispensado.» Ora isto, acrescento eu, diz mais sobre quem o dispensou do que sobre ele.
3 comentários:
De facto envergonha o Governo e todos quantos tudo fizeram para o afastar, nomeadamente o novo Min da Economia!
Álvaro era um dos meus favoritos. Agora, como bem sabes, a coligação é uma central eleitoral em modo acelerado. A competência e a verticalidade são muito leves, em Portugal. Era preciso mais peso, if you know what I mean...
Concordo em absoluto consigo. Álvaro Santos Pereira não resistiu aos lóbis e, sobretudo não resistiu ao maior de todos : a sede de protagonismo e a ganância de poder de Paulo Portas. Tanto mais que, como se vê pela notícia sobre os torpedos, o ex-ministro teve a coragem de romper com a situação pantanosa criada pelo Portas que, pelos vistos, volta a dominar o negócio. Que fica bem entregue, Quanto ás excentricidades de Santos Pereira, elas consistiram principalmente na ruptura com o espírito balofo com que os títulos académicos são acolhidos (tantos doutores, sem que alguns deles tivessem feito doutoramento, ou sequer passado com distinção nas miseráveis licenciaturas que obtiveram), a começar pelo DOUTOR Relvas e a acabar no DOUTOR Coelho. Enfim, o país não merecia Santos Pereira, esta é que é a verdade. Desejo-lhe a melhor sorte longe desta piolheira imunda.
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