Salvo o devido respeito, julgo imprudente a "comunicação ao país" da liderança da coligação governativa. Desde logo, um dos membros dessa liderança não explicou a sua situação de demissionário do cargo de Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Devia começar por aí a menos que tudo não tivesse passado de um mal entendido ou de uma brincadeira de mau gosto. Não creio que se possa aparecer diante dos portugueses como se estes quatro últimos dias tivessem sido "apagados" do calendário e não tivessem tido quaisquer consequências. Depois, convinha passar a um momento filológico e dar a conhecer o seu conceito de "irrevogável". Coisa breve mas que fosse efectiva e eticamente esclarecedora. E, finalmente, o aspecto mais importante deste jogo de sombras. Até prova em contrário que apenas o próprio pode exibir, o Presidente da República não deu qualquer aval político público ao que se vai passar ao fim da tarde num hotel de Lisboa. A menos que o faça até lá, o que parece altamente improvável uma vez que tem compromissos institucionais agendados, esses sim publicamente, relacionados com aquilo que está, repito, por explicar. Assim sendo, a coisa ressuma a colocar terceiros - e um terceiro não trivial, o Chefe de Estado - perante um fait accompli.
4 comentários:
Concordo.
Mas acrescento que ao respeito pelo Presidente da República (que, reconheçamos, não merece muito, ou mesmo nenhum) convinha juntar algum respeito pelo povo português, que, afinal de contas, é o titular da soberania e o triste pagante de todos os desvarios.
O que gostava que o meu amigo explicasse, com sua agudeza política, é o seguinte: afazer fá na comunicação social, a lista única para as eleições europeias integra o Acordo. Poderá explicar qual o contributo que isto dá para a crise política, financeira, económica, social e moral que assola o país???
O problema é que ele também se especializou em "factos consumados", estou a lembrar-me da saga da má moeda.
Quanto ao irrevogável a coisa pode ser interpetrada como a total recusa de um agora impossível regresso aos Negócios Estrangeiros: renunciou irrevogavelmente ao Palácio das Necessidades... e desde logo apanha o comboio cuja fornalha foi durante muitos meses - e com as dificuldades e oposições que se conhecem - acesa por ASP. O trabalho estava a correr em bom ritmo e já se previam alguns resultados positivos. Resultado? Mudança de maquinista, decerto a ser recompensado em sondagens e quiçá, nas próximas eleições.
O post ficaria muito melhor se fosse encimado por aquela foto da senhora, que costuma utilizar.
Nem se percebe a infantilidade com que Portas iniciou este imbróglio e agora espera escapar como se nada tivesse acontecido, como se coisas não tivessem sido ditas e sido escritas. Dá-me ideia de que os seus dias na política estão a chegar ao fim. Acho difícil que possa recuperar a credibilidade que tinha anteriormente e outro discurso a insinuar sacrifício pessoal para 'salvar' o País não pega. Nós não precisamos de salvadores, precisamos de gente que não ceda aos poderes instalados e a estas golpadas políticas que só nos fazem perder tempo. SAIAM DOS NOSSOS TELEVISORES!
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