28.7.13

A "União Nacional"




Em menos de 48 horas, o primeiro-ministro apelou à "união nacional" sobretudo a pensar no PS. O termo, na história contemporânea de Portugal, tem uma conotação que, apesar de o gabinete do PM ser desprovido de assessoria cultural, é de domínio relativamente público. Se "consenso" e pastelões filológicos semelhantes já aborrecem - porque denotam o horror ao conflito e ao adversarial inerentes às democracias adultas -, a "união nacional" remete desnecessariamente para uma realidade histórica instaurada para liquidar, em nome dela, a actividade partidária diversificada. É evidente que alguém forjado nessa actividade, como o actual PM, não está a pensar nisso e, até, deseja o oposto. Mas conviria, neste e noutros aspectos, cuidar um pouco mais da linguagem. Já se nota a falta de Bruno Maçães - o antigo adjunto e "redactor de discursos do PM" (um item que incluiu no currículo em língua inglesa que entregou para divulgação aquando da sua escolha para membro do Governo, segundo o Público,) -, manifestamente um cosmopolita, na entourage de São Bento.

3 comentários:

luisa disse...

Já desesperava de ver que alguém reparara na ''boutade'', para não lhe chamar outra coisa ! Realmente, que falta de jeito e que descuido na linguagem. Cultura, precisa-se! (A menos que a expressão tenha sido dita conscientemente, quem sabe?)

Anónimo disse...

Ele é cada dentada no Maçães! :)

Fernando Gouveia disse...

Também comentei o uso dessa fórmula por Passos Coelho. v. Diário de Trás-os-Montes, crónica sob o título "A União Nacional"