
No meio da mediocridade irrecuperável que tomou conta da nossa vida pública nos últimos dias - andámos e andamos todos a ver passar os comboios como o personagem de Simenon -, esqueci-me do "4 de Julho". Obama não me interessa. É apenas mais uma estrelinha sem importância na bandeira dos EUA, com uma boa voz e uma retórica aparentemente orgásmica em determinados meios. É o Viagra dos velhos políticos de esquerda e o avatar de muitos que nunca vão chegar a saber o que são. Os EUA são outra coisa. Gosto daquela meia dúzia de princípios elementares da "declaração de independência", de uma constituição cidadã não problemática, de uma jurisprudência de "caso", da possibilidade de "impedir" as Administrações, de Hemingway, de Whitman, de Mailer, de dos Passos, de Vidal. E, sem hesitações, do O Sexo e a Cidade, em ambas as vertentes, o sexo e a cidade. Dito isto, fui à estante folhear o livro da foto. Num dos ensaios intitulado "Three lies tu rule by", Gore Vidal cita Montaigne. Vem a propósito. «Mentir é um vício abominável. São as palavras que nos aproximam e nos tornam humanos. Se nos apercebessemos do horrível peso que representa a mentira, chegaríamos à conclusão que é mais digna do cadafalso do que muitos outros crimes. Uma vez adquirido o hábito da mentira, é impressionante constatar como é praticamente impossível desistir dele.»
Sem comentários:
Enviar um comentário