Não teria recomendado ao Primeiro-Ministro alguns trechos da sua alocução. E teria recomendado, à cabeça, a apresentação de uma moção de confiança no Parlamento. O minimalismo presidencial, aliás, suscitou a questão da outra moção - a de censura - mas o correcto, nas presentes circunstâncias, é submeter politicamente o Governo ao juízo da Assembleia da República. Porquê? Porque, desde logo e em apenas 48 horas, o Governo perdeu dois ministros de Estado, um deles o presidente de um dos partidos da coligação. Depois, porque os restantes membros do Governo desse partido estão com pedidos de demissão anunciados. Finalmente porque o Governo de Portugal não pode estar cativo de estados de alma infantis que o país não entende numa altura de alto risco para a sua sobrevivência material e ética. Como, apesar de tudo, "isto" ainda é uma democracia (nada adulta, é certo, mas uma democracia), a resposta do Parlamento a essa moção de confiança pode ser avaliada a todo o tempo pelo "povo" em sede própria. E o comportamento das "elites" políticas também.
4 comentários:
»...estados de alma infantis» - bem visto. Será que alguém sabe o que anda a fazer neste (des) governo?
Perplexa e aterrorizada vivo o momento...
A sua lucidez é absolutamente necessária.
Abraço,
isael
Estando o país com um estatuto não muito diferente daquele outrora suportado pela Boémia-Morávia, esperemos que este ersatz de "presidente Hacha" não recorra a mais uma das suas já proverbiais abstenções.
Se o "hacha que temos" não conseguir obrigar a malta do Dr. Portas a cumprir o seu dever, então que proponha ao país o há muito ameaçado "governo de salvação nacional". Se uma certa canalha atender ao noticiário que chega da Europa e dos "mercados", talvez pense duas vezes antes de alegremente afiar o sabre do hara-kiri. Algo a mafia parece já estar quase a conseguir: afastar Paulo Macedo e Álvaro Santos Pereira.
Perfeito.
É o momento para cada um assumir as suas responsabilidades, e por isso nunca vai ser feito.
Meu caro, como sempre, tiro-lhe o chapéu. Consegue, em poucas linhas dizer que "isto ainda é uma democracia" e falar de "elites", provavelmente políticas.
Como milagre e profissão de fé, é brutal.
Infelizmente, nada disso evita evita o circo que já não tem trapezistas nem domadores. Só palhaços.
João Vargas Moniz
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