
Não há muito mais para dizer nem muito mais para ouvir por enquanto. Todavia, às 21 na sicn, Mário Crespo fala com Manuel Maria Carrilho, um não avençado da tagarelice e das ideias feitas. Vale sempre a pena escutar. «As lideranças do futuro terão de resistir à armadilha do voluntarismo, seja na forma que conduz a contraproducentes provas de força com a sociedade, seja quando ele se refugia num qualquer tipo de determinação mais ou menos iluminada. São outras as qualidades que se requerem aos reformadores do nosso tempo. Acima de tudo, o que conta é mostrar capacidade de composição com a própria sociedade: na sua diversidade, na sua fragilidade e na sua complexidade. Não só porque o voluntarismo afasta e exclui, enquanto a composição motiva e integra, mas também porque só assim se consegue criar o espaço de manobra necessário para lidar com os problemas do nosso tempo.»
2 comentários:
Palavras sábias. Elegantemente apresentadas aliás porque, noutros meios, voluntarismo passa por progressismo, solidariedade social, desenvolvimentismo, política do betão, etc, etc. Em suma, não é só o que o autor recomenda que é necessário para o futuro. O seu contrário é, sobretudo, o que nos trouxe até aqui.
...o medo aqui, para mim que sou ninguém, é o perigo dos amigos do socialista de estimação. Sim, porque quem é que não tem o seu socialista de estimação?
Volto à carga porque, estando o país a roçar o recorde de 4 resgates das finanças públicas em outras tantas décadas, só posso mesmo saudar o voluntarismo da nossa classe política! ...Em sonhos, vejo Portugal a ser governado por gente que é eleita para ficar sentada em cima das próprias mãos. No ponto em que estamos se não sempre, por regra, isso seria uma alternativa substancialmente melhor.
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