Ninguém reparou mas o "guião" do debate infeliz que teve lugar no Parlamento tinha sido escrito, sob forma epistolar, a semana passada. As cartas de demissão dos dois únicos ministros de Estado do actual Governo ditaram o presente "estado da Nação". É claro que havia um lastro anterior que, de novo, ambas as cartas resumiram eloquentemente. Ambas representaram não um ponto de partida mas um ponto de chegada. Não era pois verosímil ou aceitável partir-se para o que quer que fosse pela simples rasura dos referidos escritos. Mas partiu-se com os resultados que se conhecem. Julgo que o Presidente da República usou muito do tempo da sua intervenção a descrever as implicações de eleições antecipadas para, quando as convocar, poder explicar outras coisas. Porque o mero decurso do tempo - e não apenas político - desde essa intervenção até agora tem vindo a evidenciar algumas dessas implicações. Nem sequer faltará a estafada moção de censura para acrescentar um pouco mais de grotesco tropical a tão extravagante "estado" de uma Nação. Repito. Tudo estava escrito, não nas estrelas, mas naquelas cartas onde, sobretudo depois da segunda, se solidificou uma "reputação". De resto, o frívolo exercício de ditos e de não ditos ao longo das maçadoras mais de quatro horas de debate serviu para nada.
2 comentários:
O guião não sei, mas a trama é clara: os partidos não se vão entender, PPC pede a demissão, Cavaco avança c/ governo de iniciativa presidencial e nomeia um executivo para fazer a maior razia nos gabinetes desde o Terramoto de Lisboa.
Neste ponto, alinho por inteiro com o Xavier da Quadratura. O caos foi alargado pela Exma. Pessoa do PR.
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