
No dia 11 de Julho último, havia «perda de credibilidade e de confiança gerada pelos acontecimentos da semana passada». No dia 21 de Julho, a referida "perda de credibilidade e de confiança" transformou-se, certamente por algum passo de mágica inacessível ao homem médio, em «coesão e solidez». Ou seja, o presidente da República tomou por palavra e por carácter a língua de trapos e a dissimulação. Como seu apoiante indefectível desde 1985, só me ocorrem as palavras de Fernando Pessoa. «Às vezes, quando penso nos homens célebres, sinto por eles toda a tristeza da celebridade. A celebridade é um plebeísmo. Depois, além dum plebeísmo, a celebridade é uma contradição. Parecendo que dá valor e força às criaturas, apenas as desvaloriza e as enfraquece.»
5 comentários:
Eu avisei. Mas já tinha tomado a precaução de não votar nele. Ainda pensei que fosse avançar com uma solução mais arrojada, mas prova-se que é um homem sem coragem e sem soluções (tal como o regime). A mesma escola de Durão Barroso. Meros burocratas.
Cada presidente da república, desde Eanes, têm vindo a fazer descer o nível do cargo - chefe de estado de Portugal. Se assim continuarmos, ainda vamos ver o Tino de Rans ou João Soares Junior presidente.
NOTA: se juntarmos tudo o que tiveram de bom e esquecermos o tiveram de mau de TODOS os presidentes da I, II e III república, não chegam aos pés de qualquer um dos Reis desde o tempo da Rainha Dª Maria II e D. Fernando II...
A descida do nível é um drama nacional geral. Na presidência, Cavaco consegue ser pior do que Sampaio e coloca-se ao nível de Tomás (com favor).
Mas o homem está manifestamente doente e dele já só se espera que não tenha um final humilhante.
Mas que resta? Estamos em total bloqueio político e institucional; a Constituição não tem caminho, o Governo e a oposição não têm caminho (que não seja o circo), os sindicatos não têm caminho. Então o quê? As Forças Armadas? A Igreja Católica? O suicídio colectivo nadando perpendicularmente à costa?
Gostava de acreditar numa saída, mas não vejo. Provavelmente porque não há.
(Para ajudar à festa, a remodelação já não vai ser bem o que era, mas mais uma coisa em forma de assim...)
Comecei hã 3 semanas e acabei ontem de reler o Discurso Sobre o Filho da Puta". O livrinho de Alberto Pimenta conta em poucas palavras toda a nossa tragédia hamletiana.
Quem devia ser remodelado/removido, há muitos meses, é quem ocupa contra a vontade do povo deste país, o lugar de 1º ministro. Pensava eu, na época, que pior que o antecessor era impossível... pura ilusão! O outro, ao pé deste, é um aprendiz de vigarista!
Acerca do que ocupa os Estrangeiros... falar do caso dos submarinos para quê?... na Alemanha há condenações, em Portugal vai-se (como antigamente...) cantando e rindo!
Quanto ao homem que ocupa (mal) Belém, é um sucedâneo de ditadorzinho sul americano. Eu, em tudo na vida, bom ou mau, prefiro os originais.
Por muito menos, as Forças Armadas fizeram o golpe de estado de 25 do 4 de 74. E não sei do que estão espera, desta vez, para tratarem da "tosse" a todos os responsáveis pela situação a que o país chegou.
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