Retido por casa e arredores para tratar de algumas coisas da vida material - que o "altar da pátria" impediu de tratar oportunamente-, vejo que o novo Governo estará completo da parte da tarde. Constato que, em vez da política (no sentido, se ainda existe, nobre do termo), prevalece o mito provinciano do "gestor" à mistura com o sempre na moda "circuito da carne assada" e dos beijinhos nos mercados da hortaliça. Desta vez a repartição é elaborada com a equanimidade exigida pelas circunstâncias. E até inclui estimáveis criaturas vindas directamente de Marte. O desprezo pelo serviço público, pela administração pública, persiste de forma mais evidente com a mitologia anti-Estado exacerbada pelos nossos liberais de pacotilha tão do agrado de meia dúzia de deslumbrados reconvertidos que bolçam nos media. Que longe andamos de um pacato jantar com Passos Coelho, algures na primavera de 2011, em que se jurava por gabinetes governamentais que "aproveitassem" a experiência da administração pública e não o amadorismo carreirista dos compagnons de route ou dos jardins-escola. A "moção de confiança" ontem aprovada no Conselho de Ministros, uma coisa mal amanhada e mal escrita, é agora o novo programa do Governo. Será aprovado na terça-feira por entre salvas de palmas palermas e o sorriso descansadinho de Belém. Nem sabem o que os espera.
2 comentários:
Poucos textos serão tão deprimentes como este.
Um Presidente senil, uma Administração Pública serviil, um Governo,para o qual já não adjectivos.
Não sei, sinceramente não sei, se o ódio é coisa pior do que o despeito. Vale a pena pensar nisto quando se andou anos a fio por um blog que descarrilou. Haja decoro!
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