«Este é o país onde não há carreiras, pois mal um individuo se consegue erguer sobre as duas pernas, logo a caterva de díscolos sobre ele faz chover uma saraivada de pedras (pedras de estupidez, pedras de ignorância impante) e fazer correr os dichotes e remoques do "é um tipo estranho", "não se adapta", "tem um carácter difícil". Contentes nesta Sicília transbordante de génio e sucesso, assim continuaremos sonhando com grandezas fanadas e importâncias que já mal se vêem. Álvaro Santos Pereira é a última aquisição da galeria dos homens que este país não mereceu, mas que depois de partirem, insuflam o mito do sebastianismo. Álvaro cometeu o tremendo erro de acreditar num país industrializado, feito de empresas ousadas e inovadoras animadas pelo afã da boa concorrência, um país exportador, visível na cena internacional e respeitado pelo trabalho. Acabou. Ficam as conversas tolas que rendem favores, o concurso consensualizado, a obra prometida, as comezainas phony-baloney e o chocalhar de on the rocks de conversas sobre o open de Cascais, o golfe e outras coisas notáveis.»
Miguel Castelo-Branco, Combustões
Nota: O dr. Lima, na apresentação das conclusões da "comissão Xavier" sobre a "reforma do IRC" - que coincidência mais coincidente estas "conclusões" aparecerem menos de 24 horas depois do dr. Lima ser o novo apoderado da Economia oficial! -, uma criação de Gaspar depois de Álvaro Santos Pereira ter, sem a oposição de Bruxelas, anunciado uma baixa na respectiva taxa para os 10% dentro de certas condições, tratou o seu antecessor por "Álvaro Silva Pereira". A esmerada educação do São João de Brito pelos vistos não chega para tudo.
3 comentários:
A tributação sobre as empresas manter-se-á igual pois simultaneamente subirão os lucros sobre os dividendos. Devem cuidar que quem vem cá investir é «parvo» como os «parvos» cá de dentro que se «enganam bem» com a conivência da comunicação social caseirinha. Afinal, Pacheco Pereira tinha razão.
Errata: subirão os impostos sobre os dividendos.
Há muitos anos..., Sttau Monteiro (que saudades de lê-lo nessa escola de jornalismo que foi o Diário de Lisboa) dizia de forma certeira algo que NUNCA MAIS esqueci e que vem a propósito da "saraivada de pedras" referida no texto. Dizia então o "pai da Guidinha ":
"Neste país abatem-se os pássaros para não fazerem sombra nos arbustos ". Ao longo de uma vida vivida não tenho dúvidas da justeza e sageza do jornalista e homem livre que recordo com saudade.
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