11.7.13

Medo do próprio medo


 


Não gosto de palhaçadas como, por exemplo, usar as galerias do parlamento para números de circo. Mas não me parece que a presidente da Assembleia da República - que não soube dominar a sua irritação circunstancial - possa promover o encerramento das galerias destinadas ao público a pretexto destes números de circo. Disse Assunção que "nós não fomos eleitos para ter medo, fomos para ser respeitados" no que tem parcialmente razão. Mas em matéria de "medo" e política, mais lhe conviria - até porque umas almas caridosas pensam nela para outros voos - louvar-se em Franklin D. Roosevelt na tomada de posse em 1933: "a única coisa de que devemos ter medo é do próprio medo".

3 comentários:

João Vargas Moniz disse...

Para além de uns tiques autoritários que não me agradam, lamento que nesta senhora se pense para voar. É que voa baixinho, como o crocodilo.

Anónimo disse...

A propósito de voos, desde ontem que só me vem à mente o outro verão quente - 1975, Milos Forman, Jack Nicholson e One Flew Over the Cuckoo's Nest:


http://polsci167.blogspot.pt/2011/07/one-flew-over-cuckoos-nest-provisions.html

Nuno Castelo-Branco disse...

Por incrível que a todos possa parecer, desta vez a sra. Esteves fez o que lhe competia. Imaginem se um dia destes for o PNR a organizar um berreiro em pleno Parlamento? Parece-te possível que estes indignados de fim de semana reajam da mesma forma contra a dita senhora?

O PC vegeta na sua falta de imaginação, copiando até à exaustão os exemplos de um passado já muito distante: a coacção física e moral no Palácio Tauride (1917-18); o estuporado discurso da Pasionaria que de morte ameaçou Calvo Sotelo - e perpetrou aquilo que prometera -; as escandaleiras no Parlamento Real Romeno em 1945-46 e claro está, o vergonhoso cerco à Constituinte portuguesa.
Tentam o mesmo e com toda a razão julgam poderem passar impunes. Pois, há que tornear o problema. Deixem-nos entrar e berrem à vontade, mas na certeza de terem de arcar com as consequências legais. Em Portugal existem "leis" para serem desrspeitadas, mandando a juizada de toga soltar os meliantes sob o artifício do "direito à manifestação", etc. A impunidade paga-se cara, geralmente à custa das instituições atacadas. Lembra-te do caso do escoque Costa, pedindo em S. Bento a execução de D. Carlos. Deixaram-no à solta e o resultado está à vista. Há uns dias, um patego insultou cavaco e outro patego, mais chique, apodou-o de palhaço. O que aconteceu? Nada. É um conhecido "caldo de cultura".