5.3.13

O caminho dos pedragulhos

No café onde bebo a bebida homónima de manhã, o dono estava a fazer contas à mão. Perguntei-lhe o que era. "Iva", porque ele paga ao mês. Uma brutalidade para o volume de negócio. Tal como existe uma "cadeia alimentar", também há outro tipo de cadeias potencialmente nocivas se não forem equilibradas. Uma fiscalidade confiscatória, por exemplo, não favorece a economia que, no nosso caso, "vive" sobretudo das pequenas e médias empresas. Por consequência, estas empresas dificilmente podem criar postos de trabalho ou, mesmo, manter alguns dos que têm. Os "problemas" existenciais do dr. Pinhal, ex-BCP, ao pé disto seriam risíveis se não fossem trágicos pelo que evidenciam de irresponsabilidade social. O senhor e afins terão todos os direitos deste mundo e do outro à indignação. Mas estou como o Clark Gable no final do E tudo o vento levou: "frankly, dear Mr. Pinhal, I don't give a damn". É que, por este caminho de pedragulhos fiscais, entre outras deambulações perigosamente astronáuticas, tudo o vento acabará por levar.

3 comentários:

murphy disse...

"fiscalidade confiscatória", é dizer pouco...

Objectivamente, o modelo económico e social instituído em Portugal não serviu a globalidade da população, antes uma minoria que passou a controlar a estrutura do Estado. É à sombra desse modelo também que muita empresa pseudoprivada se alimenta…

Mais de metade da riqueza produzida em Portugal é para alimentar essa máquina, quando vir uma manifestação ciente que ESTE é o problema que urge resolver, i. e., reduzir a SÉRIO na estrutura e despesa do Estado (nos ministérios, secretarias de estado, direcções gerais, nos institutos e empresas públicas, as fundações, observatórios, etc.), então sim, irei a uma manifestação…

http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/02/portugal-lisboa-e-o-resto-do-pais-1.html


Carlos Vargas disse...

EUGENIAS - Aperfeiçoar a raça dos contribuintes é certamente o objectivo da devastação fiscal em curso (DFEC).

jorg disse...

Ao fardo financeiro, junte-lhe a carga de burocracia e papelada e a dissipação de tempo associada. Os efectivos ganhos de eficiência e de competitividade ocorrem muito em evitar ou minimiizar este empurrar com a barriga trabalhos para outros. Antes, um pequeno comerciante ou empresário passava 2 dias/mês (1 para preparar a papelada, outro para trabalhar com o contabilista que tratava também dos impostos individuais, tipo IRC, e outras obrigações fiscais. Agora, é por semana, e com tantos especificos formatos e softwares, e facturas e preços se calhar em cada clip ou rebuçado, e explicações e aclaraçôes, convocaçôes e pagamentos a uma serie de entes, entidades, serviços que têem, em vez de serviço, chapam com uma especie de protocolos que consistem em fazer preparar a 'papinha' toda para esses próprios serviços, não vão eles fadigar-se por ai além. E os protocolos, esses também estão sempre a mudar.... Fica-se demasiadas vezes com a impressâo que não se quer pequenas ou médias empresas e as suas formigas - todos tem de ser uma especie de assessores (ou tarefeiros) de mandarinatos.