24.3.13

O regresso do "inspector"



Francisco José Viegas traz esta semana de volta o "inspector Jaime Ramos". Nesse contexto é natural que aproveite a "boleia" que a RTP lhe ofereceu para "coordenar" o telejornal deste domingo. Na realidade, o domingo é o primeiro dia da semana pelo que o que se passou na que terminou porventura já não interessa. Mas foi a semana em que o jornalista Nuno Santos, ex-director de informação da mesma RTP que convidou o Francisco, foi despedido por alegada justa causa, leia-se, por delito de opinião, no lastro de uma "escola" que dificilmente será banida da nossa vida colectiva, e que tem mais epígonos, por acção e omissão, do que se imagina. O substituto de Santos, Paulo Ferreira, não obstante ter-se louvado em Voltaire a propósito do seu magnífico ovo de Colombo, Sócrates ("não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito a dizê-lo"), não achou que Santos merecesse idêntica deferência filosófica. A ela preferiu o silêncio cúmplice e autocomplacente. Como escreve Nuno Azinheira no Diário de Notícias, "quando um facto cria ruído e impacto negativo na imagem de uma empresa, nada como criar um novo facto poderoso para que se deixe de falar do antigo." Isto é, não há como um dia depois do outro, do que um Sócrates depois de uma remoção ilegítima como se as pessoas fossem bonecos de trapos. Que diria o "inspector Jaime Ramos" disto?

3 comentários:

Costa disse...

O inpector Jaime Ramos aderiu, entusiasta, à aberração ortográfica (suponho que ostente "inpetor" num seu cartão profissional), e, depois do que dissera, curvou-se perante o crime indefensável de Foz-Tua. Cansou-se, rendeu-se perante quem manda e perdeu. Retirou-se, a saúde consumida, e invoca as obrigações da boa educação para não se demarcar - se é que no fundo o quer fazer - daquilo contra o quê, em tempo devido, nem um dedo levantou.

Li alguma coisa dele, interessado no conteúdo e sinceramente conquistado pelo cepticismo antropológico e pela elegância elegíaca da forma. Não lerei mais.

Ocorre-me uma pergunta: o que terá o inspector Jaime Ramos feito a essa derradeira fonte de bom senso, o dr. António Sousa Homem?

Costa

Costa disse...

"inspetor", evidentemente.

Costa

Isabel de Deus disse...

Não leio nada desse meu "desafecto" desde a prosa pedante que lhe aturei na Faculdade. Não devo perder grande coisa...