29.3.13

Merecem perder

À conta das eleições autárquicas deste ano, têm sido servidos ao país diversos e prometedores "aperitivos". Desde logo a preciosa ambiguidade jurídica em torno da interpretação da chamada lei de limitação "de" mandatos autárquicos. Como o parlamento, do alto da sua excepcional presciência, decidiu que a lei não carecia de ser interpretada a não ser pelos tribunais, estes andam a fazer-lhe a vontade em prestações suaves. Depois, há pessoas que aparentemente fizeram profissão da contingência do voto que receberam para exercer mandatos nas autarquias. E que pretendem manter uma espécie de direito de pernada sobre uma junta ou uma câmara que nunca viram na vida à conta desse extraordinário chamamento. Finalmente sobram aqueles que, com a maior ligeireza, trocam responsabilidades de Estado pela precaridade de uma candidaturazinha paroquial a fim de satisfazer a gula torpe da intriga partidária. Nuns casos como nos outros, merecem perder.

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