30.3.13

Sobre nada

Infelizmente já não consegui o Diário de Notícias para ler, em papel, a entrevista do senhor presidente do conselho (de administração) da RTP. E estar a ver um clip com a criatura, sinceramente não tenho pachorra. Bastaram-me, para ficar esclarecido, meia dúzia de reuniões. Mas o Público resume o essencial. E, como seria previsível, a coisa não se recomenda. O senhor presidente não faz uma pequena ideia do que seja o serviço público de rádio e televisão. Confunde-o, desde logo, com audiências. Depois cita mal a BBC e transforma, por exemplo, Sócrates numa espécie de boneco de feira - «o que é popular é bom, e o que é bom é popular» -, reduzindo-o a um mero talk show de televisão de sucesso garantido. Não acredito que Sócrates agradeça ou aprecie especialmente este "populismo popular" do senhor presidente. Sobre a sua relação com o ministro da tutela, o dever de reserva pelo menos a mim impede de produzir qualquer comentário. A ele, pelos vistos, não. Numa completa inversão da ordem natural das coisas, é o senhor presidente quem "avalia" o desempenho de quem o escolheu. E para se estabelecer narcisicamente como o novo campeão nacional da defesa da RTP no modelo actual. Uma vez mais o dever de reserva (o meu) trava, para já, outros desenvolvimentos sobre estas "convicções" presidenciais. O mesmo se diga do "processo" Nuno Santos acerca do qual o senhor presidente também parece ter certezas absolutas, quer de calendário, quer de procedimentos. No lugar dele, eu não teria nenhumas. Sobre nada.

1 comentário:

npcmarques disse...

Recordo-me de ter vindo aqui expressar votos de bom trabalho ao JG quando, a páginas tantas, passou numa peça televisiva que iria colaborar no tema RTP. Os votos de bom trabalho permanecem, mais do que nunca, por razões óbvias. Mas o tema, após esta semana e as entrevistas do momento, sossobra sem apelo nem agravo. Gostava aliás de ver as audiências da RTP diminuirem - a de certos programas pelo menos - rumo à irrelevância que lhes faça justiça e aos respectivos protagonistas. No entanto, o que releva aqui é a "narrativa" deste processo, que tão mal contada está! Chamar burrada ao que se passou é pouco, e isto visto de fora porque de dentro nem imagino... Para mais, sem factos que se conheçam, as opiniões superabundam.
Um dia, por higiene e apenas por higiene, acho que tem interesse esclarecer os meandros do sucedido. Será mais uma história a juntar ao rol da perniciosidade que o regime consegue alcançar. Contudo, enquanto simples contribuinte, também digo: com mais ou menos simbolismo, há casos mais urgentes e graves a requerer atenção.

Santa Páscoa!