1.3.13

A pirâmide incompetente

«O respectivo conselho de administração [da RTP] elaborou agora um plano de remodelação próprio de quem não tem a noção do ridículo. Em vez de uma definição da missão, dos meios e, em particular, da estratégia de reestruturação a adoptar, a administração da RTP entendeu servir um documento vazio que mais parece ser um exercício de automotivação empresarial. Reinventando pelo caminho o serviço público, com uma desfaçatez que só a verdadeira ignorância permite. O documento permite-se definir os “sete dogmas” do “serviço público de media” e incluir entre os seus objectivos o de ser “o melhor serviço público da UE na relação qualidade/custo”. O plano de reestruturação da RTP não passa de um exercício gratuito de marketing no qual é penoso encontrar algum conteúdo. Não há ninguém que consiga pôr fim ao delírio?»


 


Público, Editorial




Adenda: Quanto a outra questão - que, aliás, faz parte da mesma, a saber, se os presentes órgãos dirigentes da RTP (da administração a direcções internas, gerais ou específicas) são os mais habilitados para conduzir a televisão pública nesta fase - convém ler esta Deliberação da ERC, de fio a pavio.


 

1 comentário:

Carlos Vargas disse...

A PONTE SALAZAR VISTA DE CHELAS

De uma televisão dirigida por um moço de forcados e um rabejador profissional não se deve exigir demais. O inenarrável processo contra Nuno Santos, veio evidenciar que por detrás de um bruto, há sempre um bruto mais bruto, pronto a reduzir a pó a legalidade e a ignorar a opinião do regulador. A ERC é exemplarmente clara ao concluir, após cuidada investigação dos factos, que a única responsável no episódio dos brutos é a própria RTP. Por ausência de "normas adequadas", garante a ERC , urbi et orbi . Os pequenos cappos que dirigem a Marechal estão, pois, em clara violação da lei. E era disso, embora tarde, que deviam estar a tratar. Criando de imediato as "normas adequadas" que a investigação da ERC reconhece faltarem na RTP - e serem a verdadeira causa do incidente dos brutos. A saga de tribunal plenário empreendida pelos centuriões de Chelas mostra como não conseguiram vencer a obsessão compulsiva de perseguir Nuno Santos - à margem da lei e do bom senso. Os juristas compelidos a carregarem os sacos de pedras com que atingiram o Director de Informação decerto já usam suspensórios, para que a consciência não lhes caia sobre os calcanhares. Nuno Santos é um dos grandes profissionais da RTP, um dos mais dedicados, leais e cumpridores que conheci naquela casa. Sou dos que acreditam que, apesar de tudo, Portugal é um Estado de Direito. Será possível que não haja neste país ninguém com coragem política para afrontar o forcado e o rabejador - e restituir ao Estado democrático e à RTP o estatuto de pessoas de bem ?