Sob um céu quase primaveril em Roma, Francisco iniciou oficialmente o seu pontificado. «Não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço, e que o próprio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afecto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, aqueles que Mateus descreve no Juízo final sobre a caridade: quem tem fome, sede, é estrangeiro, está nu, doente, na prisão (cf. Mt 25, 31-46). (...) Na segunda Leitura, São Paulo fala de Abraão, que acreditou «com uma esperança, para além do que se podia esperar» (Rm 4, 18). Com uma esperança, para além do que se podia esperar! Também hoje, perante tantos pedaços de céu cinzento, há necessidade de ver a luz da esperança e de darmos nós mesmos esperança.» Aqui, debaixo de um inverno que tarda em desaparecer, num momento de sério desânimo nacional e de manifesta desconfiança na capacidade institucional em romper esse desânimo, num momento de inexplicável teimosia em não querer perceber que ocorreu um ponto fatal de chegada que não dá sinais de ser rapidamente contornado, a palavra de Francisco ressoa com a pureza do realismo da verdade racional da fé: «perante tantos pedaços de céu cinzento, há necessidade de ver a luz da esperança e de darmos nós mesmos esperança.»
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