16.11.12

Homens do provável, homens do possível


 


Olho para os jornais - que leio menos do que apenas folheio -, vejo a televisão, ouço a rádio, leio os online e, de repente (um repente bem durável) sente-se a falta de Eduardo Prado Coelho. Não que EPC não fosse, em tantos momentos, "irritante". Mas, mesmo nessa curva de irritação, havia sempre um ganho ou, como num verso de Sena, "uma pequenina luz bruxuleante". Agora podemos ler, ver ou ouvir quarenta ou cinquenta cromos a desfilar em qualquer medium comunicacional e, no fim, bastava um para os resumir a todos. Até aqueles que tinham maior obrigação intelectual e, até, ética para prodigalizar outra coisa, sentem-se confortáveis no quentinho da banalidade e na superficialidade da "análise" do que acabou de acontecer. E estamos horas, dias e semanas nisto onde só os "temas" ou a "numerologia" muda. Ninguém pensa mas toda a gente fala. Eduardo Prado Coelho, num dos seus últimos livros, explicava este medíocre "sistema" de "homens do provável. «O homem do provável é o homem médio, o homem do possível é, na sua singularidade irredutível, o melhor de cada um de nós.» Como recorda o Tiago Bartolomeu Costa no seu bom trabalho no Público (sim, vou directamente ao que me interessa e, aí, de facto leio), a dado momento do seu diário Prado Coelho é confrontado com um amigo que lhe disse, «tendo lido os seus textos, que os leitores iriam pensar que não fazia mais nada "senão ler, ouvir música, ir ao teatro e ao ballet..." A resposta definia, de uma assentada, esses que assim pensassem e o próprio ensaísta: "Imbecis - medem o tamanho dos dias pela dimensão das suas cabeças".» Os homens do provável são assim.


 

1 comentário:

jt disse...

«O campo que eu escolho sou eu que o construo.» Eduardo Prado Coelho

NEM SEMPRE...