5.11.12

Estado de necessidade


 


Esta manhã, numa das minhas estantes de casa, dei pela presença de um livro "velhinho", da Inquérito, intitulado A Crise do Estado Providência. É de Pierre Rosanvallon e, no original, data de 1981. A tradução portuguesa é de 1984. Na altura, Victor Cunha Rego deu-me o livro e pediu-me que fizesse a recensão para o Semanário. Daí a sua presença na minha estante. Isto para dizer duas ou três coisas. Rosanvallon é militante do PS francês e há trinta anos já pensava na "reforma" do Estado (social-democrata, que é a verdadeira "matriz" do Estado dito providência). De alguma forma, o livro antecipa em anos e anos a dita "crise" do dito Estado. O índice podia ter sido elaborado ontem. Não foi em Portugal, nos últimos dias, que foi inventada a roda. Ou brotou, por causa da intendência ou do Divino Espírito Santo, um qualquer ímpeto reformador que nunca existiu. Não. A crise do Estado providência tem quase tantos anos como os da sua existência. Nós só entrámos agora nessa discussão retórica em virtude de outro "estado" - o de necessidade. Nada mais.

3 comentários:

Nuno Valério disse...

Tão simples quanto isso! Mas, enquanto país, vamos sempre a tempo, que remédio...

João Mendes disse...

Assino a conclusão acrescentando ao estado de necessidade o de sobrevivência. Sempre assim foi e infelizmente continuará a ser. Não é por acaso que grandes transformações ocorreram ou por intervenção estrangeira (obrigando-nos a fazer mal o que, em tempo, poderíamos fazer bem) ou porque batemos no fundo dos fundos (que a nossa Mindanau deixa esta a milhas).

inês tavares disse...

Caro autor: O eestado social começou na Alemanha do IIº Reich e o autor foi Bismark. Otto v. Bismark social-democrata? É para rir? Certo?

Os 'sociais democratas' só começaram nos anos 20 na escandinávia, e depois da 2ª Geueera na França e menos no Reino Unido. A história não é o que nós desejamos, mas o que foi...