
«A maioria dos portugueses informa-se pela TV. A queda de tiragens da imprensa, sendo a principal excepção o CM, indica que muitos portugueses não podem pagar ou não sentem os jornais que temos como "seus". Assim, os jornalistas deveriam reflectir sobre as suas próprias responsabilidades na crise da imprensa. Seria bom que a Conferência dos Jornalistas, no dia 24, não iludisse essa questão, ficando-se por lamúrias e reivindicações. Cada vez mais portugueses prescindem de comprar jornais por acederem a informação de forma quase gratuita na TV e na Internet, considerando-a suficiente para o nível de cidadania que se atribuem: por considerarem que alguns jornais pouco acrescentam ao que já leram ou ouviram ou por apenas reproduzirem valores hegemónicos dos poderes; por os jornais não lhes proporcionarem, por norma, informação que considerem valiosa. A maior parte da informação repete-se de media em media. Por isso, ganhou importância o espaço de opinião dos media: é dos poucos conteúdos em que cada um deles se distingue. No debate [Prós e Contras de dia 29 de Outubro, na RTP] , referiu-se que os blogues não são jornalismo, o que é verdade: mas encontramos neles e noutros sites na Internet, quer muita informação que os media não divulgam apesar de verdadeira e relevante, quer análises muito interessantes. Os jornais que fazem jornalismo alternativo ao da TV e atendem ao interesse geral são aqueles que têm resistido mais à crise e ao desinteresse dos cidadãos. Só vejo dois caminhos para os jornais: cobrarem pelos conteúdos na Internet e, em alguns deles, deixarem de escrever só para os amigos e procurarem com coragem informação alternativa à das TV.»
3 comentários:
Quem quiser saber o que Mário Soares dizia nos anos setenta e oitenta e comparar com o que diz hoje tem de ver na Internet, porque na TV e nos jornais não passa e muito menos os entrevistadores lhe interrompem o tempo para perguntar, não vá o senhor ficar incomodado. Quem ler o público fica a saber que a Google acaba de mostrar a primeira vez os seus centros de dados...que estão no YouTube há séculos, com entrevistas de directores e um dos vídeos até abre com a mesma imagem publicada no jornal. Noutro caso, um canal de TV revela uma crítica adjectivada ao Governo, pelo Bispo das Forças Armadas, para logo a seguir passar a peça e se constatar nos últimos segundo que, afinal, foi a jornalista que perguntou ao entrevistado se o Governo era ou não aquilo, com o entrevistado a anuir não muito convencido. Noutros casos lê-se o título e nem se encontra o assunto no texto, ou seja, é um desastre. Há até outro em que o Governo comprou 400 carros, que afinal eram carros da polícia. E o problema nem são os fracos conhecimentos ou as deficientes técnicas de jornalismo - o problema é mesmo incompetência total. E as vendas só não são piores porque muitos jornais reservam páginas inteiras para fotos de mulheres nuas e anúncios de prostituição com fotos detalhadas das máquinas e do sistema operativo, de acordo com os princípios da decência e da indecência plasmados na constituição e na lei regular.
Durante 2 anos vivi numa casa sem televisão, e acredite que não me fez qualquer falta. A Internet fornece-nos o essencial da informação, e alguns blogues "fazem o resto" - o que não é pouco. Lembro-me de ter ficado surpreendido quando me falaram da agressão ao Silvio Berlusconi com uma estatueta em conversa: de nada sabia, três dias depois. Mas reitero: nenhuma falta me fez a TV, com o seu histerismo "informativo".
Por mim, deixei de comprar os jornais que adoptaram o dito acordo ortográfico. Embora Cintra Torres tenha genericamente razão, e tenha começado a procurar muita informação em" blogs", continuava, por uma questão de hábito a comprar jornais - até que estes foram forçados ao acordês.
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