Entre outros, ando a ler o livro de Vargas Llosa A Civilização do Espectáculo, da Quetzal. Llosa é um homem que participa activamente nos debates contemporâneos sem a soberba de outros escritores que receberam o Nobel da literatura. Não segue a correcção política e isso, por vezes, vale-lhe o epíteto de reaccionário ou liberal o que na cabeça de determinados analfabetos é a mesma coisa. Em matéria de comunicação social e cultural, Llosa intui perfeitamente o que se passa sem se exceder em derrames inúteis. «Por iniciativa própria, o jornalismo dos nossos dias, seguindo o mandato cultural imperante, procura entreter e divertir informando, com o resultado inevitável de fomentar, graças a essa subtil deformação dos seus objectivos tradicionais, uma imprensa também light, leve, amena, superficial e que entretém, a qual, nos casos extremos, se não tiver à mão informações desta índole para relatar, ela própria as fabrica.»

2 comentários:
É um excelente livro! Também cfr. revista LER de Jul/Ag deste ano onde debate com Lipovetsky; realço " como já não existe um cânone, hoje tudo pode ser excelente ou execrável, ao gosto do clientte.No mundo da arte, a confusão chegou a extremos que chegam a ser cómicos ou risíveis"
Sim, a não notícia e um agenda setting, tendencialmente, uníssono fazem parte do programa, mas não nos podemos esquecer que os media são organizações empresariais e que têm de dar lucro e que o carácter light e a espectacularização informativa (o tal infotainment) se inserem numa escala pantone transversal a todos os media que vai desde o amarelo pálido ao rosa shock, uma vez que os próprios públicos-alvo se metamorfosearam numa relação de causa/consequência! E só quem tem competências para intuir as futuras tendências, como na Haute Couture, é que sobreviverá! O mais interessante é que a grande rede global miscigenizou tendências sociocomunicativas, mas, ao mesmo tempo, simplificou-as, estereotipando-as...
Aliás, o próprio Alexis de Tocqueville refere que os primeiros jornais norte-americanos estavam plenos de anúncios publicitários.
E até aquela tão famosa frase: "uma imagem vale por mil palavras" é um simulacro, pois o autor criou-a, dando-a como um provérbio ancestral chinês e, mais tarde, creio que japonês, para vender os seus sabonetes e o mais interessante é que passou a definir uma era iconolatra.
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