
O recente James Bond, realizado por Sam Mendes, é talvez o mais original Bond dos últimos filmes baseados nos livros de Ian Fleming. Mais do que a tradicional "acção" o que mais conta em Skyfall é o lastro de sombras - um termo que "M" usa recorrentemente no filme - que denota o pathos (e o bathos) do envelhecimento. A "Bond girl", uma escanzelada que desaparece rapidamente de forma assaz humilhante, não conta. Bond e "M" são, desta vez, os anti-heróis persistindo heróis. É o poema de Tennyson - "M" (Judi Dench) lê-o a dada altura da película - que "revela" esse mundo de sombras sem o qual, no fundo, Bond jamais seria Bond. James Bond.
Though much is taken, much abides; and though
We are not now that strength which in old days
Moved earth and heaven; that which we are, we are;
One equal temper of heroic hearts,
Made weak by time and fate, but strong in will
To strive, to seek, to find, and not to yield.
1 comentário:
O poema citado é «Ulisses» (1833), um dos 50 que eu traduzi e incluí num livro publicado em 2009.
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