Confesso que me causa alguma perplexidade - o termo é usado a partir da sua denotação retórica - e não propriamente admiração, porque pouca coisa doméstica já me "admira", esta boutade néscia. Por motivos diferentes, também fiquei perplexo por ter sido um comentador televisivo (uma pessoa respeitável e responsável, evidentemente, mas a falar naquela qualidade) a "anunciar" coisas que deviam ter sido anunciadas por quem de direito - dada a importância delas para o futuro de milhões de portugueses - como quem anuncia um enlace de "socialites" ou um episódio picante da "casa dos segredos". Onde é que fica o sentido de Estado? Séneca, que vem aqui mais vezes do que eu desejaria, é sempre eloquente na sua apenas aparente singeleza. Mas, na realidade ("é" a realidade), "não há bom vento para quem não conhece o seu porto".
2 comentários:
Meu caro João, há dias, a então ainda secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, ofereceu a J.Alberto de Carvalho, que a entrevistava, a notícia de que em 2013 os nossos parceiros internacionais do Acordo de Entendimento analisariam com o governo, ponto por ponto, rubrica por rubrica, os cortes a fazer na despesa pública. O JAC, naturalmente, não percebeu que era «cacha» e partiu a perguntar se o PS aceitava o OE ou outra parvoíce das suas preferências. Nos muitos dias que se seguiram, nenhum jornalista reparou ou repegou o tema. Sendo assim, porque não havemos de celebrar os comentadores que fazem o trabalho dos jornalistas? Eu celebro e, visto que me informam (eu sei mais ou menos o granus sali com que os tomar) agradeço. Não me queixo nem vejo dano, depois, em que desapareçam uns jornais insuportavelmente tendenciosos e preguiçosamente omissos.
O que mais me impressionou foi uma televisão entrevistar o cujo e suprimir cuidadosamente aquela notícia sobre a guerra.
Um scoop e deitaram fora, que azelhas.
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