27.11.12

Marcelo.




O Vitor Matos - que conheci numa noite chuvosa, em Queluz, uma noite longa em que se ultimava o primeiro número da revista FOCUS - enviou-me, com uma simpática dedicatória, a sua biografia de Marcelo Rebelo de Sousa. Levou-lhe quatro anos de trabalho e chama-lhe "biografia consentida". Vou lê-la com a atenção que o autor e o biografado me merecem pelo que a "recensão" ficará para mais tarde. Marcelo interessa-se a vários níveis. Nunca foi meu professor pelo que só nos cruzámos pessoalmente, nos idos de 1996, na praia do Guincho. Antes disso, ouvi-o em coisas do PSD (de que fui militante até 2004), na televisão e li-o nos jornais. Andei com os autocolantes vermelho-vivo da sua candidatura à Câmara de Lisboa em 1989. Enquanto jurista, citei-o muitas vezes em pareceres e em peças processuais.  Na altura do Guincho, Marcelo era presidente do PSD. No país reinava a "pax guterrista" e não era fácil ser líder da oposição. Falávamos muito entre mergulhos e antes de ele sair mais cedo da praia para ir ao Norte ou ao Sul dirigir-se aos militantes. Cheguei a dar-lhe boleia até casa. Como presidente do PSD, Marcelo obteve duas importantes vitórias nos referendos sobre o aborto e a regionalização. Nos congressos, até 1999, venceu a insolência dos "eternos" candidatos ao seu lugar, um dos quais lhe viria a suceder depois de, em Tavira, o ter acusado de ter feito o que ele viria depois a fazer - "carregar o pequeno partido à nossa direita às cavalitas", Barroso dixit. A partir daí, Marcelo passou a fazer política por outros meios através da comunicação social. Chegou a conselheiro de Estado a convite de Cavaco Silva e é um dos mais prestigiados professores da Universidade de Lisboa. Como comentador televisivo, Marcelo, à semelhança de toda a gente, tem dias. Por causa desses "dias", soube por um amigo comum que ele se "zangou" comigo por algumas coisas que aqui escrevi. Todavia, esses meus dias, tal como os dele, não eliminam o essencial. Marcelo é um feroz adepto do optimismo antropológico, um vitalista e um intelectual que aprecia a acção, a começar pela comunicacional. Quando Cavaco terminar o seu mandato, o país provavelmente vai precisar, e muito, de vitalismo e de acção. Não acompanho o Medeiros Ferreira quando sugere que Marcelo ficou para sempre refém do estúdio de televisão e, como tal, não será candidato presidencial. A sua inteligência e intuição decerto saberão melhor do que ninguém quando chegará o momento adequado de largar o estúdio e ir à conquista do país. Marcelo conta comigo para isso.

1 comentário:

jose disse...

tu marcellus eris!