«No simpático cerco de quarta-feira ao Parlamento, alguns manifestantes, citados na imprensa, interrogavam-se: onde está o milhão de desempregados? Onde estão os estudantes? Em casa, digo eu, que as dificuldades vigentes nem sempre convencem as respectivas vítimas a incendiar propriedade alheia e a colocar em perigo a integridade física dos deputados que o país em peso elegeu. Uma coisa é remoer a austeridade, outra é combatê-la às marradas contra a parede. Percebe-se que os exemplos dos delinquentes de Madrid, cuja fúria destrói estabelecimentos comerciais e provavelmente empregos, sejam apelativos para quem nunca conquistou o poder nas urnas e sonha consegui-lo nas ruas. Não se percebe que, ainda que fechem o punho ou o estendam ao jeito hitleriano (juro), as forças por detrás da violência à porta de S. Bento se julguem revolucionárias.»
2 comentários:
Santa hipocrisia do escriba AG.
Onde está o milhão de desempregados? Não estará em casa, como adianta esse "sociólogo", e a estar no conforto dos lares não está certamente por ter decidido algo acerca de alguma coisa, como a sua posição acerca do governo ou da crise. Estará talvez a pensar em emigrar ou é simplesmente levada pela espuma dos dias e pela sua simpática apatia.
Portugal é habitado por cornos-mansos. O mal do cerco foi os deputados nem sequer terem mostrado como estavam borradinhos.
São, são revolucionárias com um atraso de mais de cem anos. Aliás, se aqueles que andaram a queimar palácios na Paris da Comuna pudessem utilizar uma "máquina do tempo" e visitar o Portugal de hoje e desta crise, decerto julgariam aqueles indignados meninos como fugitivos do Júlio de Matos.
Não perceberam que num país de pequenos proprietários, "revoluções" apenas chegam através das FA e acabam sempre da mesma forma. Pobres diabos...
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