23.11.12

Processos sumários


 


Numa das múltiplas "notícias" colocadas nos jornais por causa do patético episódio das "imagens não editadas" pelas televisões, leio que a RTP tenciona ter pronto o seu "inquérito" interno na segunda-feira. Há mais de vinte e cinco anos que faço inquéritos, processos de averiguações e disciplinares. Mesmo num caso passado na Madeira - com a PSP (alegadamente a PSP teria aparecido à paisana num reunião do sindicato das bordadeiras locais) -, eu e o meu colega magistrado Ministério Público, na altura ambos inspectores da IGAI, elaborámos um relatório preliminar, curto (fui eu quem o escreveu), depois de quatro dias úteis de investigação local. E o relatório final só foi apresentado após uma segunda visita, semanas depois. O ministro era o dr. Jorge Coelho e corria o ano de 1998. Nenhum inquérito credível, isento e factual pode ser feito em um dia útil, mesmo dois, que é o que sugerem essas "noticias" quando apontam segunda-feira para o termo do prazo para a sua conclusão. E, muito menos, quando as "notícias" indiciam algumas "conclusões" e "visados". Também a intervenção da PSP no "caso" em apreço agora (esta é uma mera opinião pessoal) devia ser objecto de uma acção da IGAI e não da própria PSP. Dito isto, e regressando à RTP, apenas uma nota. Desde Janeiro deste ano que a empresa possui um director geral de conteúdos que superintende as duas principais direcções da casa, a de informação e a de programas. Ora das "notícias" infere-se que o director geral de contéudos da RTP "pairou" acima deste episódio e que até poderá interinamente substituir Nuno Santos, o director de informação demissionário "visado" nas "notícias" e um profissional a quem quero, aqui, protestar livremente a minha consideração e estima pessoais. Não se atira impunemente a honra de quem quer que seja aos cães com processos sumários ou tentativas de linchamentos públicos.

2 comentários:

Anónimo disse...

Há mais: alguns escritos por aí publicados apresentam sugestões-acusação na forma de citações de uma das partes envolvidas, acusando directamente membros do Governo, o que não só revela falta de isenção, como uma intenção de linchamento público e orientação.

Marta B disse...

Este processo faz-me lembrar uma ficção da Agatha Christie. Quase todas as personagens anseiam por vingar-se de alguém, que mercê da sua accão ao longo dos anos, teve a infelicidade de coleccionar muitos e variados inimigos. O pretexto para o convite à demissão foi o visionamento, mas - tal como Júlio César - bastava que voltasse as costas um dia destes para que o apunhalassem. As lágrimas que se choram na direcção de informação neste momento, são de crocodilo, os suspiros de muito alívio e nenhum sofrimento.