20.11.13

Não chegar a cavalo

Já aqui tinha referido que a passagem por gabinetes governamentais, fora uma uma ou outra relação amistosa, só me trouxe dissabores. Os detalhes ficam para outra ocasião e sob outra forma menos efémera que um simples blogue. Vi a minha situação profissional diminuída - quando saí para a missão de "elevado interesse público", nos termos legais, exercia uma função de direcção intermédia que, naturalmente e entretanto, "caiu" -, de vez em quando sou insultado no anonimato reinante nos meios imateriais de comunicação e hoje passei pela humilhação de ter de ir questionar a responsável pelo processamento de vencimentos no organismo público onde presto serviço, acerca da razão pela qual, e ao contrário do que aconteceu com todos os meus colegas, não me foi disponibilizado, com o vencimento, o famoso "subsídio de férias". E ainda me foi perguntado delicadamente, é certo, se "não me fazia diferença" se a coisa aparecesse em Dezembro como se fosse esse o ponto. Isto apesar de estar longe de ser rico, de dispor de quaisquer outros "rendimentos" paralelos ou de, sequer, ser "recomendável" de acordo com a cartilha regimental em vigor. Após um quarto de século ao serviço do Estado (a que isto chegou), tenho de subscrever, quase a título de epitáfio, a frase de Jorge de Sena: um burro nasce burro e ao fim de 25 anos não é cavalo. 

5 comentários:

João Vargas Moniz disse...

O seu post anterior responde.
E, ainda assim, peca por defeito, porque merda é muito mais vasta do que diz.

Eduardo Freitas disse...

Mas aprende, ou tem a possibilidade de aprender, muita coisa no ínterim. Suponho que seja aí que resida a diferença.

zé luís disse...

Entre as delícias da leitura que nos propicia, registo sempre o azedume do João Gonçalves, que não conheço, sem mexer na minha admiração. Até pela moral e pelo moral ou mural deixados: de facto, burro não chega a cavalo embora trabalhe muito, foi assim que aprendi a coisa. A minha solidariedade, JG!

João Gabriel disse...

Caro João Gonçalves

Precisamente é isso - um quarto de século a trabalhar para o Estado, com o sentimento de injustiça e intolerância.
Também eu tive funções administrativas na de 2002 a 2005 com o mesmo partido e o mesmo dissabor de injustiça!
Há que ter força.

Cumprimentos

João Gabriel

Vasco disse...

Esses cargos são assim mesmo--quem vive pela espada morre pela espada. A culpa não é do País. Se calhar até é mais o inverso, e com isto palavra de honra que não quero ofendê-lo mas é a maldita Regeneração que ainda não terminou.