«A verdade é que nós, por via da situação de tender a ter esse Estado social absorvente, tender a ter um Estado que visa absorver a sociedade numa dimensão que, a meu ver é exagerada, faz com que tenhamos uma tentação de um Estado totalitário, que cria as promiscuidades, que cria as clientelas, que cria as dependências», afirmou o dr. Aguiar-Branco. E não deixa de ter a sua razão. Todavia, o problema das "promiscuidades", das "clientelas" e das "dependências" coloca-se menos em relação ao "Estado social absorvente" (por natureza, se o Estado não for "social" serve para muito pouco) do que à "absorção" que é feita ao Estado por parte de coisas inteiramente privadas, e da "sociedade civil", como, por exemplo, os grandes escritórios da advocacia de negócios. Não vem no "guião" mas é da vida.
1 comentário:
Além dos referidos escritórios, importa salientar outros que comem do Orçamento de Estado, e fazem «serviço público» que o Estado poderia proporcionar, por ter meios materiais e humanos para isso, sem a necessidade de pagar a outras entidades. Penso nos colégios privados, nas Misericórdias e noutras IPSSs. O Estado poderia poupar mais de 500 milhões. Mas as orientações são outras. Atente-se ao discurso oficial em prol da inenarrável «economia social» do Dr. Mota Soares. Pelos vistos, a Reforma do Estado não passará por aqui.
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