18.11.13

Uma "democracia PSI 20"






«Um assunto urgente levou o presidente executivo da EDP, António Mexia, à Assembleia da República na passada sexta-feira de manhã: as alterações à contribuição sobre o sector energético para 2014, que o Governo entregou na véspera aos deputados da maioria para serem introduzidas no debate na especialidade do Orçamento de Estado. Tendo por base os cálculos iniciais da EDP, os novos critérios do Governo agravam a contribuição da eléctrica portuguesa em 17,9 milhões de euros. Acompanhado pelo presidente da EDP Renováveis, João Manso Neto, Mexia foi apresentar ao líder da bancada do PSD, Luís Montenegro, as objecções para tal aumento. Montenegro confirmou ao PÚBLICO ter sido uma audiência a pedido do gestor.» Por consequência, a partir de agora qualquer contribuinte, pessoa singular ou colectiva, tem o direito de se dirigir "à mais famosa casa de Portugal", a da democracia, para "apresentar objecções" aos sucessivos e imprevistos aumentos de impostos e contribuições. A menos que exista uma uma "democracia PSI 20", com especiais direitos de cidadania, distinta do Estado de direito democrático que é suposto isto ser. E que implica a subordinação do poder económico ao poder político e não o contrário. Qual é a parte que os drs. Mexia e Montenegro não entendem?

3 comentários:

fado alexandrino disse...

Mexia fez o que devia fazer, é para isso que lhe pagam e entrou na tal casa (aliás muito igual aquela que passa na TVI) com um pé à frente. O senhor Montenegro também fez o que devia fazer. Acautelou o futuro, há empregos que não são eternos. Quem me dera (eu e milhares) estar no lugar de um do outro, já podia ir de férias (agora mesmo) para o quente Brasil.

João M Gonçalves disse...

Subscrevo na íntegra! Que triste espectáculo. A esperança que havia em Passos (não foi por ser liberal que se votou nele?) esfumou-se quando se percebeu, com a queda de Henrique Gomes, que este Governo é um governo pró-negócios, não é um governo pró-mercados. Liberal o tanas! Um abraço, caro João.

Isabel de Deus disse...

É um Governo do qual se parece ter ausentado, sobretudo, qualquer sombra de humanismo. E ainda teremos, de facto, um partido social-democrata em Portugal?.Uma democracia verdadeiramente cristã? As palavras vão-se despindo do sentido que lhes reconhecíamos. Portugal, como em "Mensagem" é hoje nevoeiro, apenas nevoeiro. Por entre esse nevoeiro passeiam-se, contudo, criaturas dotadas de um estranho estatuto que lhes vai permitindo viver (muito bem) onde outros soçobram ou sobrevivem penosamente.E esses outros são (somos) quase todos os Portugueses !Há muito que é a Hora!