O Doutor Cavaco insiste no "diálogo" (de surdos?), desta feita sem o "bónus" das eleições em 2014, e acha que o papel do senhor vice PM é um "documento aberto a contribuições" e que “mais tarde ou mais cedo Portugal teria de avançar no sentido da reforma do Estado”. Juntando alhos com bugalhos, presume-se que o PR entende que o referido "diálogo" pode passar pelo dito papel. Todavia, politicamente, interessa-me mais o papel de Presidente da República. É que cada vez menos percebo qual é.
6 comentários:
É "fodido" termos sido enganados, não é?
Declaração de interesses:
1. Sou do tempo do venerando Chefe de Estado.
2. Tive muitíssimo respeito por Eanes, apreciei Soares, detestei Sampaio (que, ainda assim, respeito).
3. Não gosto pessoalmente de Cavaco Silva, é uma questão de pele... e cultura.
4. Gostaria de ter respeito político pela instituição presidencial, mas não consigo.
Posto isto, Cavaco Silva não ajuda. Há coisas que não esqueço: o caso Saramago é um e imperdoável e inesquecível; o "equívoco BPN é outro; a atitude actual acresce.
Ora, a maior - a meu ver - das debilidades do "papelucho" é que não pensa a reforma do Estado. Porque a reforma do Estado passa - e principalmente - pela organização do poder político, pelo equilíbrio de poderes, pela representatividade da AR, pela intervenção e competência autárquica, pelo papel da Administração Pública, pelas suas funções e relações de poder e, essencialmente, pela estratégia do Estado para os cidadãos. Etc, etc, etc. Tudo o mais é decisivo, mas meramente instrumental.
Daí que, a meu ver, o papelucho seja batoteiro, uma fraude. Porque se centra na despesa - embora o negue - e não nos valores.
Ora os valores não determinam o Estado, mas inspiram-no, e anda tudo muito desinspirado, muita videirice, muita aldrabice, muito salve-se quem puder.
Claro que assim não vamos lá. Pelo contrário, vamos a caminho do fim, com o Presidente da República à frente, indiferente ao destino.
Pobre país!
Cavaco Silva, ao chamar os partidos políticos a um mínimo de bom senso, protagonizou, a meu ver, o acto político de maior coragem desde o 25 de Abril. Meço bem as palavras porque, se o sistema está esgotado e o "regime" vive os seus "dias do fim", a verdade é que nada existe que lhe possa facilitar essa passagem. A lei, ou a constituição, ou a p. que pariu isto tudo, decerto não funcionará por si só e insistir na mesma merda de políticos, políticas e politiquices equivale a discutir o sexo dos anjos. Seria pois de esperar que, em tempos de guerra, a putativa nação pensante e falante tivesse atitudes à altura da situação. Mas não tem! Com o país largamente cansado de tudo quanto seja política, a solução proposta pelo PR tinha a grande vantagem de provar que o sistema não é totalmente inútil e se adequaria à excepcionalidade dos tempos. Sabemos agora que tal não acontece, e que o sistema é sobejamente dispensável. Chorar pela vinda de um "Homem!" também não adianta porque, lá está, os tempos são outros. Criados na facilidade e, supostamente, civilização, agora seria o tempo onde os adultos se comportariam como tal. Mas até isso é esperar demais. Considero as suas críticas a certas personagens do governo porque, estou certo, sabe do que fala ao contrário de outros e aponta à essência. No entanto, e se bem entendo o que o JG vem escrevendo, neste particular do PR e do que ele faz e porque o faz, discordo. Chamo a atenção para a última entrevista do general Ramalho Eanes à RTP. Acho que está lá tudo o que interessa neste momento. Palavras finais para a grande alegria que é ver a marcha alegra da rapaziada do PS em direção ao poder. Todo o processo é reconfortante!
O PSD emitiu hoje um tempo de antena na RTP1, que se pode ver no link abaixo, que me parece contradizer frontalmente a vontade de consenso com o PS. É pura propaganda de um partido já em campanha eleitoral.
http://www.youtube.com/watch?v=1wlVArELh6k
Tal e qual.
De acordo. Cem por cento.
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