
O Paulo Portas, se bem me lembro, não frequentou no nosso último ano de direito a cadeira facultativa de história diplomática de Portugal, ministrada por Jorge Borges de Macedo. Se o tivesse feito, não teria dito que «em 2011 vivemos uma espécie de 1580 financeiro» ou que «em Junho de 2014 podemos viver uma espécie de 1640 financeiro.» Entre 1580 e 1640 o país perdeu a soberania na ordem externa - era representado, na chefia do Estado, por Filipe II de Espanha e nós ainda há dias vimos o Doutor Cavaco, no Panamá, na sua qualidade de Chefe do Estado português e não, por exemplo, o dr. Barroso, a Mme. Lagarde ou o sr. Draghi juntos ou alternados - mas manteve a soberania na ordem interna, com as suas instuições e representações nacionais. Também poderia ler o ensaio de Vitorino Magalhães Godinho, "1580 e a Restauração". Por isso não vale a pena tentar humilhar-nos mais do que o estritamente necessário a pretexto de um "programa de ajustamento" financeiro para efeitos da mais reles propaganda política "à la Caldas". A história é o que é.
1 comentário:
A \"reforma do Estado\" do VICE é um número de ilusionismo de Houdini viciado. Na adaptação televisiva do número, o artista fez desaparecer da cartola o coelho do costume e tirou 112 páginas brancas como neve. À suivre.
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