Como escreve o João Pereira Coutinho no Correio da Manhã, o anúncio pela Irlando de que vai prescindir de "programa cautelar" gelou literalmente o regime, desde o drs. Passos e Seguro ao Doutor Cavaco. Até agora o tableau de bord do "ajustamento" oscilava entre o mais longe possível da Grécia e o mais próximo possível da Irlanda. Porque o "ponto de referência", para depois de Junho de 2014 nas palavras do Governo, era, quando muito, o proto "programa cautelar" irlandês. Sem isto, entrámos num "ponto de solidão" para o que quer que venha a passar-se nesse final da próxima primavera. O que obriga a "europeizar" mais a nossa fraca prestação política num espaço em crise e em transe - na economia, no "social", na moeda. Até porque perdemos na comparação com a Irlanda: não temos "almofadas" de 25 mil milhões de euros, não temos aquelas taxas de juros em sede de financiamento autónomo nos mercados financeiros e, sobretudo, não temos elites à altura dos desafios. Basta atentar na reacção do regime sustentada no muito português "logo se vê" à mistura com um desejo mimético pueril que todos sabemos ser inverosímil. O orçamento de 2014, à falta de outra coisa, é o melhor espelho dessa atrapalhação. O que este pretende atingir para o grand final do "programa de ajustamento", em matéria de despesa pública, a Irlanda resolveu logo no início do seu programa, de uma vez só, e com o famoso "consenso" laboral e partidário. Não é dois anos depois, após o irresponsável amuo de Verão do dr. Portas e com uma austeridade a mudar todos os dias, que se pode esperar por coisa parecida na paróquia por mais que o Doutor Cavaco se esprema. Dublin está perto de Londres, e vice-versa, o que explica boa parte da "história". E nós, onde é que estamos? Entre as Berlengas e Marrocos?
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