
Os ministros e outros dignitários, quando se deslocam, deviam obrigatoriamente levar na pasta o livro de Medeiros Ferreira. Ajudava-os a, por exemplo, evitar inscrever pantomimices em "guiões" dignos de programitas escolares de partido, limitar as baboseiras aviadas a torto e a direito, em qualquer parte do mundo ou na paróquia parlamentar, sobre "o que se vai passar" quando não conseguem dar conta do que se está a passar e, sobretudo, a tentar perceber o que é que andamos a fazer por cá e na Europa. Nesta, normalmente, os ditos dignitários fazem figura de corpo presente ou, quando vão mais longe, como a Washington para "fazer peito", ninguém verdadeiramente os leva a sério. Aliás, não se pode levar a sério quem recorre sistematicamente a uma semântica infantil (estilo o qualificativo "fantástico", seguido de ponto de exclamação, em referência às exportações) para descrever os "progressos" da imensa fantasia em que isto tudo se tornou. A cibernética governativa é, cada vez mais, orientada como antigamente se dirigia uma redacção de jornal do que em função de um qualquer desígnio sufragado pelo "povo" e representado pela legitimidade e pela autoridade de um chefe de Governo: quantos chefes de Governo não caberão neste Governo, de Portugal à Índia, dos jazigos do Caldas aos jazigos da Lapa? Regressemos à lucidez erudita de Medeiros Ferreira e deixemos o raquitismo de espírito político entregue a si próprio e à felicidade inteiramente privada do Senhor Presidente da República. «A segurança de Portugal, como de outros países europeus, passa por um entendimento internacional sobre as "dívidas soberanas". Caso contrário assistiremos ao desmantelamento dos serviços públicos do Estado desde a Península Ibérica à Península Balcânica. Até o relatório da OCDE sobre Portugal [de 2013], na sua III Parte, chama a atenção para este risco, propondo a robustez e a capacidade efectiva dos serviços públicos (...). O maior perigo que espreita a República Portuguesa é mesmo o da alienação da sua vontade de participar activamente na política internacional, no exacto momento em que os mecanismos próprios do sistema financeiro mundial e do funcionamento actual da UE tendem a anular os interesses de países como Portugal. Ora, a sociedade portuguesa só pode vencer esse desafio com uma política externa própria e activa. E sem novas ilusões sobre qualquer Mapa Cor-de-Rosa que o prolongamento das dificuldades tem tendência a suscitar.»
1 comentário:
O que é “UM HOMEM”? Será Pedro Passos Coelho “UM HOMEM”?
Esta é, na verdade, a questão.
Na análise existencial do filósofo Heidegger, constata-se que tal questão não encontra um conceito ou definição, visto que para o filósofo o homem faz-se de acordo com as possibilidades que tem numa relação consigo e com a verdade.
Isto é, para esse filósofo, “UM HOMEM” faz-se “pela sua relação com o ser e a verdade”, sendo que a relação do homem com o ser e a verdade não é algo estável e permanente ao longo do tempo e da história, pois “o ser e a verdade não têm uma natureza fixa, prontamente acessível para nós”. Escreve, nesse sentido, que “nem a animalidade nem a racionalidade, nem o corpo nem a alma, nem o espírito, nem os três juntos, são suficientes para compreender a essência fundamental do homem”.
MUTATIS MUTANDIS
Pedro Passos Coelho deve ser entendido como «AQUELE QUE ESTÁ JUNTO AO MUNDO, MAS AINDA NÃO NO MUNDO».
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