21.11.13

E se melhor for possível?

«Às vezes a gente esquece-se do mais evidente, do mesmo muito mais evidente, mas há sempre quem se lembre por nós e desta vez foi o FT, a escrever sobre a Grécia. E é o seguinte: se o Estado português caminha para um excedente "primário", isto é, arrecada mais impostos do que o dinheiro que gasta, com excepção dos juros que tem de pagar pela dívida acumulada, então só precisa de financiamento para pagar aos credores passados e não precisa de financiamento para o futuro. Simples. Ora isso não quer dizer que não se pague a dívida: quer simplesmente dizer que o poder negocial do Estado aumentou. Incomensuravelmente. Aliás, como lembra o FT, os credores internacionais há muito que sabiam que esse momento iria chegar e terá sido por isso que a Alemanha, Durão e Passos não descansaram enquanto não passaram a esmagadora parte da dívida para os credores institucionais. Embora restem problemas, como é referido no mesmo artigo: "historically governments receiving international assistance become far less co-operative once they can fully pay for their own daily activities. Indeed, if  Athens had its own central bank to shore up its financial sector, there would be  few incentives to keep paying off the EU and IMF at all." Mas uma coisa é mais certa do que muitas: à medida que o estúpido programa de ajustamento prossegue, diminuem os custos de fazer alguma coisa de diferente. A pressão sobre o Tribunal Constitucional tem de estar relacionada com isso, mas para o demonstrar ainda será preciso queimar mais algumas células cinzentas.»




Pedro Lains

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