8.8.13

Uma luz de advertência






 


Comecei a ler um livrinho intitulado Os Privilegiados. Alterna com outras coisas porque a soturnidade convida à dispersão. Ainda não alcancei a página quarenta e, sem querer, o autor levou-me a uma frase relida num ensaio de Gore Vidal sobre Edmund Wilson e escrita por este sobre os States (retomo-a para este lugar apelidado Portugal). «Cheguei finalmente à sensação que este país, quer viva ou não viva nele, já não é lugar para mim. Sinto cada vez mais aborrecimento e desprezo pela raça humana.» Vidal comenta que Wilson, a este propósito, era um sinalizador profissional, uma luz de advertência. Tem razão.


 


Adenda: Entretanto, com um lápis, já ultrapassei as cem páginas de Os Privilegiados. Fora uma ou outra pequenina imprecisão factual, constato que não é por falta de consultores em tudo e para tudo que não saímos disto. Aliás, o grosso destes consultores e das empresas que montaram - ou outras em que se "montaram" como administradores circulantes -, algumas com designações tão imaginativas quanto exóticas, é o grosso do regime tão sublimemente representado no parlamento. Sobretudo pelo "arco da governabilidade" tão caro no léxico mais recentemente em uso. De comum a todos, o Estado que lhes ajusta directamente serviços e produtos. Sinceramente, eu que trabalho num serviço de consultadoria jurídica e de contencioso oficial, pareço um atrasado mental ao pé destas luminárias todas juntas. E se calhar, em plural majestático, somos.

3 comentários:

Axl1 disse...

Excelente frase. Também sinto isso. Esta coisa não tem remendo.

maria disse...

"Este país começa a não ser lugar para ninguém", só para os seus velhos.
Há muito que os "privilegiados" me cansam e exasperam, a sua postura na sociedade roça o descaramento, o pavoneio e a indiferença ... e não sejamos ingénuos porque toca a todos os partidos e elites.

CSJ disse...

"... não é por falta de consultores em tudo e para tudo que não saímos disto."
Mas é para isso mesmo que eles lá estão!