7.8.13

Um conselho

Esta coisa das pensões vai ser um problema político sério, demasiado sério para ser abordado na insustentável leveza de um briefing. Imagino que pelo menos o senhor vice PM, a avaliar pelos seus derradeiros testemunhos escritos enquanto líder partidário, terá a perfeita noção disso.

1 comentário:

andré disse...

As pessoas não querem ver ou preferem desconsiderar o fato de terem decorrido dois golpes de estado em Portugal num curtíssimo espaço de tempo.
O Primeiro foi a chantagem "irrevogável" de portas que, através de uma representação eleitoral minoritária, pressionou o PM ministro a conceder aos democratas cristãos o centro do poder e dos negócios (privatizações, concessões mineiras, IDE, entidades reguladoras dos mercados, concelhos de administração das empresas públicas, etc).
O segundo foi a intromissão de Aníbal, cujo oportunismo brilhante permitiu depender a governabilidade da entrada de uma certa matilha cavaquista no poder, cujas posses em off-shores os coloca directamente no centro das decisões económicas portuguesas.
Não se tratam aqui dos maneirismos pessoais que a imprensa tanto gosta de hiperbolizar. Não se trata das preferências pessoais ou da “estabilidade governativa” apregoada como legitimação da conduta perante o povo temeroso. A estabilidade, em democracia portuguesa, apenas se atinge quando todos os lobbies, com capacidade de derrubar o governo, estão representados na fila para a serventia dos recursos públicos.
No meio deste volte face, a margem de manobra do Primeiro Ministro ficou ainda mais reduzida, a um conjunto de decisões administrativas, e à condução de uma ministra contestada, pelos mesmos lobbies que ele deixou entrar no quartel.