18.8.13

Que viva tempos interessantes


 


Não sei em que contexto o dr. Marques Mendes adjectivou o prof. Crato como "medroso". Recorde-se que o prof. Crato foi chamado ao altar da pátria para "corrigir" quer o "eduquês" devastador da actividade neuronal das criancinhas, quer para "equilibrar" o que os seus antecessores teriam desequilibrado: a tensão professoral permanente, o parque escolar, a disciplina, a qualificação "desinfantilizada" das criancinhas. No superior, ao qual pertence, Crato preferiu aplicar prontamente a contabilidade analítica que é como quem diz, a penúria. O início do ano escolar entretanto promete um pequeno tumulto. Com a "reforma do Estado" reduzida à referida contabilidade analítico-criativa - e sendo o ministério a que Crato superintende um dos mais vastos em "recursos humanos" -, as escolas, em Setembro, como muitos directores de escolas e agrupamentos não se têm cansado de repetir, abrirão no caos. Desde a colocação dos professores à colocação dos próprios alunos (estou a acompanhar o caso do filho de um amigo, com contornos kafkianos, apesar de a coisa passar por um dos supostos melhores agrupamentos escolares da área de Lisboa, o Vergílio Ferreira da eterna dra. Esperança), sem falar no pessoal "administrativo" sob a cabeça do  qual paira o cutelo da "reforma", i.e., do despedimento "requalificado", é fácil prever o pior. O prof. Crato pelos vistos só não se revelou "medroso" quando foi a correr a Carnaxide, sob o alto patrocínio do senhor primeiro-ministro, dar uma entrevista sobre um relatório da sua Inspecção que visava um colega de governo que se demitira escassas horas antes. Aliás, seria interessante que a IGE desse a conhecer o follow up desse relatório. Ou foi só para aquele dia, para aquela noite e para aquele fim? Como recomendavam os seus antigos amigos chineses, que o prof. Crato possa viver tempos interessantes. Pelo menos na abertura do ano lectivo.


 


Adenda (comentário de um leitor): «O Prof. Crato é inteligente, mas é provinciano. A proposta de dar certas liberdades às escolas no país da cunha é assustadora. Imagino os agrupamentos escolares da província - ou mesmo das cidades - a contratar. Perguntem aos professores de Educação Física como funcionam as contrataçóes em certas autarquias... Tal como é absurda a proposta do cheque-ensino. Nos últimos 20 anos o Estado investiu uma fortuna no parque escolar. Nos tempos de Guterres foram construídas inúmeras escolas de Ensino Básico (com ensino até ao nono ano) para substituir as antigas Escolas de Ensino Básico Mediatizado, vulgarmente conhecidas como telescolas. Em boa verdade em algumas regiões investiu-se mais que o necessário e agora, nessas áreas, há um excesso de oferta para o número de alunos. Nesses anos, muitas freguesias reclamaram pela sua escola de Ensino Básico. Depois, nos anos Sócrates, surgiu a Parque Escolar e a renovação «milionária» dos liceus. Em algumas cidades e regiões do país existem ainda escolas com contrato de associação que «concorrem» com escolas públicas onde existem professores com «horário zero» e capacidade para acolher mais alunos. Há pais «assustados» com a possibilidade dos filhos frequentarem escolas a 10 ou 15 quilómetros de distância mas no interior existem alunos que percorrem 50 a 70 quilómetros até à escola secundária mais próxima: caso dos alunos das aldeias da freguesia de Martinlongo, no Algarve.  Com o parque escolar montado nas últimas décadas e a taxa de natalidade em queda, é um absurdo enveredar pelo cheque-ensino. Trata-se de uma mera opção ideológica e provinciana. Nós não precisamos de imitar holandeses ou suecos. Presicamos sim de criar soluções adequadas à nossa realidade. »

1 comentário:

Rocco disse...

Os funcionários públicos, ao verem o fundo ao tacho, fazem o "rassemblement"... Mas nós, os outros, não estamos dispostos a continuar a pagar o festim. Se "isto" continuar, vamos saindo.