4.8.13

O pensativo pupilar dos pavões


 


«Os portugueses, pelos vistos, têm uma tendência maníaca para o ‘consenso'», escreve o João Pereira Coutinho. A moleza das férias - o verbo "aguentar", afinal, sempre se conjuga - ajuda a enfiar o pastelão pelas goelas abaixo com umas sandochas de fiambre e queijo fatiado. Entretanto vai sendo preparado o primeiro orçamento de Estado sem Gaspar e sob o alto patrocínio dos novos "donos" da situação, em especial de um que agora já não se safa de ser o rosto político doméstico desse documento. É, não tenho a menor dúvida, o orçamento mais importante da legislatura e, por conseguinte, um momento político decisivo. Nenhuma instituição da nossa fraca democracia lhe ficará indiferente a começar pelo Presidente da República que, ao louvar-se na "coesão" e na "credibilidade" que outorgou ao novo executivo, decerto não deixará de prestar atenção rebobrada àquilo que espera seja no mínimo substancialmente melhor e diferente do que Gaspar conseguia (ou lhe permitiam em Bruxelas) produzir. Aí, já sem férias e bolas de Berlim, ver-se-á o que vale o "consenso" e demais facilidades linguísticas para crédulos engolirem. E, sobretudo, o que vale o "cooordenador" dos "coordenadores" todos juntos do novo governo. O pupilar dos vizinhos pavões do Jardim Zoológico que o ajude a pensar.

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