16.8.13

O ausente



Este é o primeiro "calçadão", em três anos, no qual Miguel Relvas não estará nem ao lado nem por trás de Passos Coelho. Muitos dos que aparecerão em Quarteira a babujar o líder decerto agradecem tamanha fartura. Na verdade, e valendo as coisas e as pessoas o que valem ou deixam de valer, Relvas nunca foi substituído neste tandem com o actual presidente do PSD. Nem podia. Com a sua saída de cena, Passos ficou sozinho apesar da recente recuperação partidária de Marco António. Nenhuma das luminárias que ele inventou (ou que lhe inventaram) para o partido ou para o governo preenche o lugar deixado vago pelo antigo ministro adjunto. Curiosamente um lugar que o "ajudava" mais de fora para dentro do que de dentro para fora. Dito de outra forma, blindava-o. Ninguém imagina quem quer que seja no seu gabinete apolíneo e apolítico - ou na actual Gomes Teixeira - a fazer isso. Passos achou que a "academia" o protegia melhor da "vida real" - da qual ele parece ter verdadeiro horror - do que o voluntarismo leal, mesmo quando mais "trapalhão", de Relvas. O tempo, esse diabo sedento, tem-se encarregado de lhe demonstrar que não é assim. Em política, como em praticamente  todas as manifestações da vontade dita humana, não existe gratidão. E o mais amável dos dirigentes acaba sempre, aqui ou ali, por triturar amizades e cumplicidades para sobreviver. Suetónio explica, em regime de pensão completa, este "estado" complexo do poder e dos homens a propósito dos doze césares. Mas a Passos basta a imagem do calçadão de Quarteira para entendermos  tudo.

2 comentários:

Carlos Vargas disse...

Miguel Relvas foi sacrificado pela pena do dr Crato para satisfazer a imprensa política. Álvaro Santos Pereira foi levado ao cadafalso pela mãozinha hábil dos interesses e das negociatas que sistematicamente contrariou, durante dois anos. Ambos serviram para matar a fome aos leões, no momento conveniente.

observador labrego disse...

Ok! mas o problema é o Tribunal Constitucional, que tem desempanar tudo o que um parlamento, presidente e executivo faz, produz e amarfanha ....

Já agora, o que se ensina nas faculdades de direito e universidades de verão partidárias relativamente a Direito Constitucional?