O António Cunha Vaz faz anos hoje. Talvez por alguma feliz coincidência, o Diário Económico entrevista-o. E vale a pena ler a entrevista porque "ler" pessoas como o António Cunha Vaz ajuda a perceber melhor o país do que, por exemplo, passar o tempo a ouvir os mesmos sábios "diagnósticos" do António Barreto. Não escrevo com ironia. O António manteve um caso em tribunal com um grande amigo meu, alguém que muito admiro e estimo, porque não exercitou suficientemente o seu ironismo. O António é um "gigante" no "meio" e eu nem a pigmeu aspiro - pertenço à honrada classe das lagartixas do Pacheco Pereira. O António está "separado" de mim pelo dr. Alberto da Ponte, actual presidente da RTP (uma "ausência" interessante nesta entrevista). O António é um cosmopolita de "experiência feito" e eu pouco mais pude do que vegetar num cosmopolitismo intelectual, ou num vaguíssimo nomadismo, que me mantém relativamente entre paroquianos. O António, em suma, tem "mundo", opiniões fortes e a entrevista afirma-o como um homem polémico e livre que aceita pagar o preço dessa polémiica e dessa liberdade. E é amigo do seu amigo (e, por consequência, inimigo do seu inimigo que até pode ser um amigo nosso). Nesta fase da vida, mais do que as "instituições" (entre nós sempre precárias, autocomplacentes e, afinal, cúmplices), interessam-me sobretudo pessoas. E o António, em quase dois anos de mútuo conhecimento, tratou-me sempre bem e, julgo, vice-versa. É ágil e competente no que faz. E nem sequer é preciso estar de acordo com tudo isso em que ele é ágil e competente. Se, no provérbio russo, o pessimista é um optimista bem informado, então o António Cunha Vaz "derrota" a sabedoria eslava. Ele é um dos optimistas melhor informados que conheço.
1 comentário:
Na última linha, deveria ter escrito MAIS BEM INFORMADO, porque será que tanta gente de boa cultura incorre nesta asneira?
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