
O editorial do Público tem razão. Bastou uma limalha chamada swaps para o "compromisso de salvação nacional" do Doutor Cavaco, o "consenso" do prof. Maduro, o "diálogo parlamentar" do dr. Seguro e a "união nacional" do dr. Passos irem por água abaixo. Como escreve Pacheco Pereira, vale tudo. «A pretexto dos swaps, Governo, PSD e PS tem dado um espectáculo deprimente e que seria apenas ridículo se não revelasse a completa falta de sentido de estado no tratamento da coisa pública. Não há palavras, é uma pura mesquinhice e mais um acto na desagregação da coisa pública: governantes sem vergonha, que são corridos em circunstâncias que, como de costume, desconhecemos na sua verdadeira dimensão; uma coligação a disparar cada qual para o seu lado após as juras de fidelidade da semana passada; papéis eventualmente "construídos", mesmo que a partir de documentos verdadeiros; revelação de documentos confidenciais do estado para marcar pontos num futebol político de quinta categoria.» Entretanto, duas "novidades" do actual Governo, o dr. Moreira e o senhor vice PM, nunca mais foram vistos ou ouvidos desde que tomaram posse apesar de o último ser o provisório homem do leme na constância da Manta Rota. Mas nem isso sucedeu porque a Manta Rota cedeu doze preciosas horas do seu remanso, fora a ida e a volta, ao primeiro-ministro para presidir a um conselho de ministros que tratou o documento politicamente mais difícil da legislatura. É, seguramente, uma "imagem" que vale por mil e uma palavras. Quanto à realidade, a coisa está mais ou menos em meia dúzia de frases de Vasco Pulido Valente. «Têm de se procurar outros caminhos para sair do desemprego (principalmente quando se é "jovem") ou para não deslizar pouco a pouco para a miséria: a emigração, claro; a pequena empresa; o raríssimo lugar numa multinacional; ou a resignação ao trabalho precário, que tanto excitou neste Verão os srs. ministros. Seja como for, os partidos, que já ninguém estima ou leva a sério, acabaram no ar, sem uma verdadeira ligação à sociedade. O espectáculo da eleição para a Câmara do Porto é já um bom sintoma do que se prepara: o caos.»
Adenda: Ou o "espectáculo da eleição para a Câmara do Porto" ou de Lisboa no que respeita ao candidato do centro-direita. Em conversas televisivas, não tem nome. Mas tem três pés, afinal. Dois em Lisboa, um em Sintra e a cabeça em Bruxelas onde deverá estar daqui a um ano, depis das Europeias onde aparecerá de corpo inteiro. Vão ver.
2 comentários:
A falta do sentido de Estado começou com quem do arco do poder montou os Swaps , Bpn's e afins.
Agora só se limitaram a dançarem sobre o terreno assim minado ,,,,
"governantes sem vergonha, que são corridos em circunstâncias que, como de costume, desconhecemos na sua verdadeira dimensão"
O que chega à imprensa é, como infelizmente sabemos, a ponta de um icebergue colossal, que quase sempre envolve visados nunca antes esperados.
É com um "varrer para debaixo do tapete" e umas reorganizações burocráticas que e aremedeia a moral política e distrai as atenções do povo para a sardinhada. Foi assim como o BPN, as PPP's, os submarinos, as scut's, e agora as SWAP's.
A impunidade, essa, é a rainha que empossa a maior parte do anterior governo (PS), do atual e do porvir. Porque a instrumentalização das instituições democráticas é um pressuposto da nossa corrupção organizada.
É essa raínha que ainda hoje preside na cadeia de comango da administração pública, até ao mais baixo decisor.
Dizer que não existe uma política estruturante, e um verdadeiro acordão estratégico e pluripartidário é, desse modo, falso. Ele existe bem ou mal oculto dos olhos de todos.
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